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Imperiosidade do Aperfeiçoamento

Com a responsabilidade de nortear os destinos da Humanidade no rumo da perfeição, lúcidas providências vêm sendo adotadas por Jesus no sentido de nos canalizar todo um sistema de recursos capazes de atender ao imperativo da nossa evolução.

À luz dos conhecimentos já arregimentados não nos é difícil depreender que tal desiderato só poderá ser atingido se elaborado nos alicerces da educação.

 

 

No entanto, ainda alimentamos o hábito de fazer dos emissários, incumbidos de nos auxiliarem, mitos religiosos, cujas personalidades idolatramos, cultivando-os como arrimos de propósitos transitórios, invocando-os para o atendimento de caprichos e suprimentos de bens terrenos, indiferentes aos legítimos valores de renovação de que são portadores. 

 

Tal falha, decorrente de visão distorcida, está a exigir urgente mudança de concepção em nossa marcha de aprendizado. Os grandes missionários são, sim, os designados pela bondade Superior para apontarem a partir de suas possibilidades de vivenciação, os marcos efetivos de libertação do ser.

Nesta ótica, o próprio Cristo não poderia fugir à regra. Aportando ao plano dos homens, fez de sua existência um corolário de Amor, levantando caídos, suprindo carência de confiança, sustentando esperança, recuperando enfermos... Entretanto, sua mensagem, revestida pela moldura do perdão e da compaixão, é de fundamentação essencialmente educativa. Expressa-se como proposta indeclinável de crescimento no terreno íntimo, em base de reformulação moral, assegurando a cada um a verdadeira libertação do Espírito imortal.

O Consolador por Ele prometido e concretizado nas asas do Espiritismo, é hoje o valioso instrumento capaz de fomentar o despertamento dos caracteres interiores do indivíduo, direcionando-o para a prática do Evangelho em sua pureza e simplicidade dos tempos primeiros.

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). É por aí que a terceira revelação mostra a imperiosidade do aperfeiçoamento, cujo caminho se expressa pela sementeira gradativa e continuada dos ensinos do Cristo. Aportando ao meio espírita, quase sempre na busca de sustentação e equilíbrio, num mundo de muitas lutas e sofrimentos, não tardamos apreender junto daqueles que tão afetivamente nos acolhem, que a solução definitiva dos males que ainda carreamos reside na dinâmica daquele que é “o Caminho, a Verdade, e a Vida” na intimidade do coração. E, em meio aos novos valores que passam a embasar a fé, sente-se sede de afirmação e crescimento.

A realidade da vida imortal, a reencarnação, a compreensão de Deus, o entendimento da lei que dá a cada um segundo as suas obras, a responsabilidade na aplicação do livre-arbítrio, passam a direcionar as coordenadas da existência, pelas quais hão de circular os padrões da caridade geradora da harmonia que almejamos.

A Doutrina dos Espíritos abre, portanto, novas perspectivas ao conhecimento, favorecendo a formalização de novos conceitos e experiências capazes de sustentar a alegria de viver. Peregrinos da evolução, ansiosos de luz e carentes de segurança, vemos que a felicidade, meta almejada e perseguida no tempo é conquista exequível, à espera apenas da disposição de operarmos o Bem e o processo de aprendizado com perseverança, consoante a afirmativa do Espírito de Verdade: “amai-vos o primeiro ensinamento, instruí-vos, o segundo”.

Honório de Abreu

Extraído do Jornal Evangelho e Ação

Junho/julho/agosto de 1988

Ano 1 Edição nº 2