Antônio Loreto Flores

Antônio Loreto Flores nasceu no dia 12 de junho de 1903 em Belo Horizonte (MG). Filho do professor Benjamim Flores e de Terezinha Flores, herdou o dom de educar e fundou várias escolas, e uma de suas maiores preocupações era a de combater o analfabetismo.

Dedicou-se também à assistência aos necessitados, sendo extremamente caridoso e devotado ao socorro dos sofredores.

Não se casou. Achava que ligando se uma companheira e aos laços matrimoniais teria que dividir seu tempo, sempre teve em mente que  a primeira caridade começa no lar. Não teria esse luxo, seu dever era com os mais pobres. 

Desempenhou altas funções na Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais. Apesar de boa situação no funcionalismo público viveu sempre com o simples, porque o seu desprendimento chegava a tal ponto que, com visível prejuízo de suas próprias necessidades materiais, distribuía todos os seus pertences aos necessitados, as crianças, velhos e enfermos.

Preparado espiritualmente para os grandes cometimentos da Doutrina Espírita à luz do Evangelho de Jesus, inclinava-se humilde e bondosamente para os corações sofredores e procurava na medida de seu alcance solucionar os problemas de cada um. O socorro se fazia do lado material, porém sem proselitismo. Não distinguia religião ou nacionalidade. Convencia os sofredores de que o Pai Misericordioso não permite uma cruz superior aos ombros de cada um.

Dotado de espontânea alegria, que era uma de suas fortes características, sabia dizer as coisas no momento exato. Nas tribunas revelou-se um expositor proativo e possuidor de amplos conhecimentos da doutrina do evangelho e principalmente dos problemas sociais, onde se estendia a maior parte de seus trabalhos.

Amigo incondicional das crianças, sem olhar classe social, reunia-as tirando lições vivas da vida de cada uma incentivando-as para aquela ajuda mútua ensinada por Jesus “Dar com a mão direita, sem que a esquerda o perceba”. Para os mais pobres gostava de contar histórias, ensaiar o canto, a poesia, o esquete, o teatro e não deixava de incentivar os que tinham mais a partilhar e socorrer os menos abastados, dando ele próprio o exemplo. Quantas vezes foi ao serviço de socorro nos morros e nas favelas acompanhado pela garotada, muitos dos quais levando ajuda aos mais necessitados. 

Irmão Flores foi fundador de várias instituições espíritas, escolas profissionais e primárias. Fundou o Centro Espírita Amor e Caridade em 1947, e foi o presidente até o seu retorno ao Plano Espiritual.

Até a década de 1940, os hansenianos eram internados compulsoriamente em colônias. Por influência de irmão Flores o deputado federal Romeu de Campos Vergal apresentou um projeto de lei, sancionado pelo então presidente da república Getúlio Vargas, extinguindo o confinamento dos portadores do mal de Hansen (Lepra).

Fundado por irmão Flores e alguns amigos em 1º de julho de 1947 o primeiro centro espírita da Colônia Santa Isabel, em Betim (MG), surge com o nome “Campos Vergal”. Entre os fundadores estava João Baptista da Costa, portador do mal de Hansen, apelidado carinhosamente de “João Pipoca”, que foi dirigente da casa espírita por muitos anos. 

Longa e pertinaz moléstia o prendeu ao leito por alguns meses, meses de angústia e expectativa para aquela gente humilde que sempre recebeu do Flores a mais generosa assistência material e espiritual.

Desencarnou no dia 22 de julho de 1954, aos 51 anos de idade.

Em homenagem póstuma, vinte anos mais tarde, em sinal de gratidão ao grande amigo dos hansenianos funda-se o Centro Espírita Antônio Loreto Flores por iniciativa de José Albino Chaves.

Tendo vivido para o Espiritismo, o querido irmão Flores deu à Doutrina Espírita tudo quanto podia dar com desprendimento, sem nenhum tipo de ostentação ou alarde como quem só conhecia deveres, esquecido de si mesmo, como missionário de um grande e nobre ideal.

Aqueles que conviveram de perto com esse inesquecível tarefeiro do bem, puderam comprovar que ele dava a própria roupa do corpo, o seu cobertor, travesseiro e tudo mais, um verdadeiro franciscano na expressão da palavra, quando necessário. Fazia germinar no coração das crianças as flores perfumadas da divina inspiração. 

LUCENA, Antônio de Souza. Pioneiros de uma Nova Era, Rio de Janeiro: CELD,1997, p.27-29. (Adaptado)