Jarbas Franco de Paula

Jarbas Franco de Paula nasceu no dia 24 de setembro de 1927 em Melo Franco, aglomeração urbana circunvizinha a Santa Bárbara (MG). Foi uma das lideranças mais expressivas do movimento espírita brasileiro.

Veio para Belo Horizonte ainda jovem. Na vida profissional trabalhou como mensageiro dos Correios e logo depois integrou se no sistema previdenciário do País, ali permaneceu por mais de trinta anos.  Casou se com Olga Rodrigues de Paula, que era espírita, e do casamento tiveram três filhos.

Levado por amigos ao Centro Espírita Célia Xavier, descobriu ali sua vocação para múltiplas reflexões. Passou a frequentar o Centro Espírita Oriente e o Grupo Scheilla, onde teve missões relevantes, na qual abriu se um leque inimaginável junto ao Espiritismo em Belo Horizonte. Em 1996 fundou o Coral Espírita João Cabete com o objetivo de harmonização nas reuniões públicas de domingo à noite no Centro Espírita Oriente. Jarbas foi carinhosamente chamado pelo membros do grupo como “o mentor encarnado do Coral”.

Comportamento ilibado, caráter cidadão estruturado em rígidos princípios de moralidade, pautou seu trabalho com dedicação e esmero, merecendo citações honrosas como a que constou em documento emitido por órgão da Previdência Social, em 17 de janeiro de 1955, onde se lê: “Jarbas Franco de Paula, como tesoureiro auxiliar, exerceu o cargo com eficiência e firmeza, demonstrando elevada idoneidade. Nas centenas de pagamentos mensais a pensionistas, aposentados e outras partes nunca houve reclamações nem diferença em caixa nas respectivas auditorias periódicas”.

Inconformado com o sofrimento e a miséria alheias e alicerçado em premissa evangélica do relato de Mateus, passou atuar vigorosamente no auxílio aos moradores de rua, esquecidos em asilos, abandonados em nosocômios psiquiátricos, reclusos privados da liberdade, exilados de instituições hansenianas, necessitados de todos os lados. Era como se o evangelista lembrasse diariamente a ele: “sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer”

Determinado, altruísta, incansável, Jarbas expandia cada vez mais suas ações na vivência do Cristianismo Redivivo, Espiritismo, recrutando e pondo a postos um exército de voluntários que formavam com ele grandes contingentes de ação caritativa cotidiana. Desenvolveu seus trabalhos no Hospital Raul Soares, Hospital André Luiz onde foi diretor, Hospital Mário Pena, Abrigo Belo Horizonte, colônias de hansenianos na área metropolitana de Belo Horizonte.

No hospital Raul Soares, juntamente com uma equipe de voluntários, fazia a higienização de enfermos esquecidos e abandonados para que quando o médico fosse visitá-los não tivesse nenhuma aversão com a situação do paciente. Deixavam o sofredor com melhor aparência. Oravam, quando lúcidos  falavam a eles de esperança, de saúde, de paz, de amor, de Deus e vida.

No limiar da década de 1950, diante da precariedade das periferias de Belo Horizonte, açulada com o fluxo migratório do campo, inspirou-se em Chico Xavier sendo um dos pioneiros da implementação da Campanha do Quilo em Belo Horizonte, levando os alimentos arrecadados de bonde e de tróleibus (tipo de trem urbano da época), até o centro de triagem da campanha.

Notabilizou-se por recrutar novos tarefeiros, contando-se às centenas os que ingressaram em diferentes fronts de trabalho. Caridoso, solidário e amigo Jarbas Franco de Paula levou para as fileiras espíritas centenas de irmãos pelos seus exemplos e dedicação constantes.

Tinha a veia de empreendedor e com uma inesgotável energia e coragem expandiu com muitos amigos instalações no Centro Oriente e em outras casas espíritas. Equipou dependências, construiu salas, fomentou a instalação de bibliotecas e livrarias.

Leitor contumaz lia todos os grandes periódicos da imprensa espírita brasileira. Depois da leitura gostava de presentear amigos com o livro para estimulando a pesquisa e  o conhecimento.

Tribuno apaixonado, estudava a Doutrina com afinco. Sua biblioteca particular tinha milhares de títulos desde as histórias dos Santos e de sua mediunidade como Agostinho, Francisco de Assis, Clara, Antônio de Pádua, Vicente de Paulo as obras com missionários de brilho estelar como Amália Franco, Barsanulfo, Bezerra de Menezes e Chico Xavier. Conhecia André Luiz com proficiência da cátedra mestral, proferindo estudos sequenciados nas maiores casas espíritas da Capital.

Especializado na administração de conflitos, lembrava reiterada recomendação do espírito Glacus: “o mal não deve ser comentado”, calava-se quando o interlocutor invigilante introduzia no diálogo a crítica ou a reclamação.

Inteligente e líder nato, Jarbas chamava muito a atenção das pessoas pela sua bondade. 

Jornal “O Espírita Mineiro (UEM)” – Nº 294/2006