Alcina Primão dos Reis

Alcina Primão dos Reis nasceu aos 09 de abril de 1919. Seu interesse pelo espiritismo começou cedo. Ela contava que seus padrinhos de batismo eram espiritualistas e conversavam muito sobre espiritualização das pessoas. Ela, muito curiosa, absorvia aquelas informações e sempre queria saber mais e mais, procurando ler tudo que chegasse à suas mãos. Uma prima de sua madrinha era médium e fazia reuniões semanais, onde Alcina estava sempre presente, ouvindo, aprendendo…

Alcina casou-se com Vicente Alves dos Reis, e não tiveram filhos. A família de Vicente era muito católica. Ele porém era mais liberal e, segundo D. Alcina, muito observador e respeitador. Um amigo do casal realizava reunião mediúnica em casa, guiada pelo Bispo René (Francês), e convidava sempre o casal para participar. Um dia Vicente disse: vamos! E foi assim o início de um trabalho que o casal realizou durante 30 anos (1959-1989), no Grupo Espírita Terezinha de Jesus, em Justinópolis-MG.

A família de Alcina mudou-se para Belo Horizonte. No final da década de 1970, Vicente, que estava com problema no estômago, foi indicado por um amigo para procurar a Fraternidade Glacus. O casal foi numa reunião de quinta feira, em busca de orientações (receituário) e não deixaram mais de frequentar.

Tarefeira desde os primeiros momentos da FEIG, Alcina trabalhou na tarefa da sopa e no auxílio do preparo de almoços, jantares e cafés, com a finalidade de arrecadação de fundos para a compra do terreno e construção da sede. Também foi pioneira nos trabalhos do SOS Preces, onde esteve desde o início dessa atividade (maio de 1982) até o ano de 2000. Nessa tarefa, uma singularidade: Alcina, além de inibida, tinha problemas com a voz, com muita dificuldade em falar. Ela nos conta então que pediu ajuda à espiritualidade e, com orações e muita força de vontade, conseguiu desenvolver seu potencial para falar e ajudar a muitos.

Trabalhou na tarefa de Visita aos Lares que, inicialmente era apenas um grupo formado por 6 senhoras. Elas se encontravam na Praça 7, centro de Belo Horizonte e pegavam o ônibus para visitar os lares. O mentor da equipe era Padre Vitor. No principio dessa tarefa, relata, não havia controle para as visitas e elas usavam a intuição para saber a quem visitar. Ainda não havia indicação no receituário para visita e passe no lar. Quando a espiritualidade começou a indicar Visita aos Lares a várias pessoas que pediam a orientação espiritual, começaram então a se formar grupos para a tarefa.

Alcina trabalhou também no receituário e como membro do Conselho da FEIG. Em sua entrevista em setembro de 2010, aos 91 anos de idade, ela nos dá preciosas recomendações sobre o trabalho em favor do próximo. Ela nos diz: “A tarefa espírita é uma benção que pouca gente nota e observa. Pensa que está fazendo o bem para os outros, está fazendo pra você mesma. (…) Não precisa dar o dia inteiro. Um minuto, um recado que você dá, é suficiente.(…) Não perder oportunidade porque ela vai e não volta. Estou bem, saio arrumada, cabelo arrumado, salto, colar. A riqueza do corpo é empréstimo e temos que honrar esse empréstimo. A gente não deve se apresentar na pior figura. A fraternidade é uma benção. A gente às vezes chega não muito bem e sai de lá bom. Não é milagre. É trabalho. Cuidado com a vaidade. Precisamos ter muito carinho. Estamos aqui para aprender”.

Alcina desencarnou em 02 de maio de 2011, aos 92 anos de idade, na cidade de Belo Horizonte e, apesar de problemas de saúde inerentes à idade, sua desencarnação se deu de forma tranquila.

Alcina Reis é mentora de Equipe de Visita Fraterna da Fraternidade Espírita Irmão Glacus.

Fonte: Entrevista concedida a Marcelo Orsini em 28/set/2010.