Amor e respeito à natureza

Em uma paisagem belíssima que lembrava os salões verdes de “Nosso Lar”, o superior hierárquico dos trabalhadores espirituais do campo solicitou a Aniceto que interpretasse uma lição evangélica. O querido benfeitor atendeu de pronto e abriu o Evangelho do Cristo na carta escrita por Paulo de Tarso aos Romanos[1]. Enquanto meditava, sublimada luz lhe aureolava a fronte. Diante do profundo silêncio que reinava no ambiente e total interesse dos colaboradores da gleba, bois, muares e aves se aproximaram, atraídos por forças magnéticas que André não conseguiu compreender.
Após a leitura do ensinamento do Apóstolo dos Gentios, Aniceto iniciou os comentários ponderando que há milênios a Natureza espera a compreensão e a colaboração dos homens, todavia só recebe a opressão de todas as vaidades humanas. Lembrou que muitas vezes o auxílio dos trabalhadores espirituais do solo é, lamentavelmente, convertido em baixas explorações no campo dos negócios terrestres. Destacou que a maioria dos cultivadores da terra tudo exige sem nada oferecer.
A parte seguinte da palestra de Aniceto é uma verdadeira ode à Natureza, conclamando o homem a assumir seus deveres e responsabilidades perante a grande obra do Criador. Além disso, destaca-se a impressionante atualidade do ensino, embora a primeira edição do livro em estudo tenha sido publicada no distante ano de 1944: “Enquanto zelais, cuidadosamente, pela manutenção das bases da vida, tendes visto a civilização funcionando qual vigorosa máquina de triturar, convertendo-se os homens, nossos irmãos, em pequenos Moloques[2] de pão, carne e vinho, absolutamente mergulhados na viciação dos sentimentos e nos excessos da alimentação, despreocupados do imenso débito para com a Natureza amorável e generosa. Eles oprimem as criaturas inferiores, ferem as forças benfeitoras da vida, são ingratos para com as fontes do bem, atendem às indústrias ruralistas, mais pela vaidade e ambição de ganhar, que lhes são próprias, que pelo espírito de amor e utilidade, mas também não passam de infelizes servos das paixões desvairadas. Traçam programas de riqueza mentirosa, que lhes constituem a ruína; escrevem tratados de política econômica, que redundam em guerra destruidora; desenvolvem o comércio do ganho indébito, colhendo as complicações internacionais que dão curso à miséria; dominam os mais fracos e os exploram, acordando, porém, mais tarde, entre os monstros do ódio! É para eles, nossos semelhantes encarnados na Crosta, que devemos voltar igualmente os olhos, com espírito de tolerância e fraternidade. Ajudemo-los ainda, agora e sempre! Não esqueçamos que o Senhor está esperando pelo futuro deles! Escutemos os gemidos da criação, pedindo a luz do raciocínio humano, mas não olvidemos, também, a lágrima desses escravos da corrupção, em cujas fileiras permanecíamos até ontem, auxiliando-os a despertar a consciência divina para a vida eterna! Ainda que rodeiem o campo de vaidades e insolências, auxiliemo-los ainda, O Senhor reserva acréscimos sublimes de valores evolutivos aos seres sacrificados. Não olvidará Ele a árvore útil, o animal exterminado, o ser humilde que se consumiu em benefício de outro ser! Cooperemos, por nossa vez, no despertar dos homens, nossos irmãos, relativamente ao nosso débito para com a Natureza maternal.”[3]
Aniceto finalizou comentando a importância do nitrogênio para a vida no planeta. Trata-se de gás inerte, incolor, inodoro e insípido, também conhecido como azoto. O ciclo do nitrogênio é o processo através do qual ele circula pelas plantas e pelo solo sob ação de micro-organismos, passando por vários procedimentos até que lhe seja possível se fixar nas raízes das plantas. Por ser de baixa reatividade, não tem como o nitrogênio ser obtido diretamente de sua fonte primária e utilizado pelas plantas. Ele precisa ser decomposto por bactérias e algumas algas azuis portadoras dessa característica. O ciclo possui diversos passos e ocorre, inicialmente, quando o nitrogênio em estado gasoso na atmosfera, se transforma em nitrato e amônia, beneficiando os vegetais, e em aminoácidos, beneficiando os animais. A partir daí cada etapa se desenvolve obedecendo a criterioso e perfeito programa da Natureza. Cabe ressaltar que o nitrogênio é um componente que faz parte da composição de duas moléculas orgânicas de fundamental relevância para os seres vivos: as proteínas e os ácidos nucleicos.[4] [5]
Face ao exposto, o nobre mentor espiritual, cercado pelos animais que pareciam estar atentos a sua fala, destacou como é fundamental que o homem se conscientize da premente necessidade de se tornar um cooperador do planeta, sem se converter em exterminador da fauna nem destruidor da flora, mas sim amando a terra, sem explorá-la com objetivos inferiores. “Observamos com o Evangelho que a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus encarnados! Concordamos que as criaturas inferiores têm suportado o peso de iniquidades imensas! Continuemos em auxílio delas, mas não nos percamos em vãs contendas. Os homens esperam também a nossa manifestação espiritual! Desse modo, ajudemos a todos, no capítulo do grande entendimento.”[3] A lição é clara: dependemos uns dos outros e todos somos responsáveis pela vida no planeta.

Valdir Pedrosa

[1] Epístola de Paulo aos Romanos 8:19-21.
[2] Moloque era um deus adorado pelos amonitas na terra de
Canaã, cujo principal ritual era o sacrifício de crianças.
[3] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado
por Francisco Cândido Xavier – capítulo 42 (Evangelho no
ambiente rural).
[4] www.infoescola.com/meio-ambiente/ciclo-do-nitrogenio/
[5] www.brasilescola.uol.com.br/biologia/ciclo-nitrogenio.htm

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