IMPRESSÕES SOBRE A OBRA
1. Inácio Ferreira, quando encarnado, foi médico psiquiátrica e diretor do Sanatório Espírita de Uberaba.
Quando desencarnado, continuou na área da psiquiatria, trabalhando junto de outros espíritos que lhe acompanharam a encarnação em um hospital no plano espiritual conhecido como “Hospital Esperança”. Nessa obra, o espírito Inácio Ferreira narra alguns de seus atendimentos nesse hospital. Na maioria dos casos, os pacientes eram espíritos que em suas últimas encarnações foram espíritas, mas que não entenderam os propósitos renovadores do espiritismo e que desencarnaram em graves situações.
2. Podemos destacar um grande ponto positivo da obra, que é o alerta a todos aqueles que acham que estarão com os deveres cumpridos só por ocuparem cargos de “importância” dentro de uma instituição religiosa. A obra trás exemplos de espíritos que falharam, por deixar de lado os deveres do lar e os deveres para com os próprios desafetos.
3. Em paralelo com esses exemplos, temos também nessa obra, muitas informações e observações do espírito Inácio Ferreira sobre como é a “realidade” do plano espiritual. Podemos dizer que essa “realidade” trazida por Inácio Ferreira é bem próxima a vida material, onde observamos relatos do próprio autor de dores físicas, necessidades fisiológicas, entre outras sensações que estão bem próxima das sensações experimentadas por um encarnado.
Sobre as sensações materiais:
“Há sensações que têm por fonte o próprio estado dos nossos órgãos. Ora, as necessidades inerentes ao corpo não se podem verificar desde que não exista mais corpo. Assim, pois, o Espírito não experimenta fadiga, nem necessidade de repouso ou de alimentação, porque não tem nenhuma perda a reparar. Ele não é acometido por nenhuma de nossas enfermidades.”
(Revista Espirita – Abril 1859 (Quadro da vida espirita)
“Quanto aos Espíritos inferiores, os fluidos terrestres ainda lhes são de todo inerentes; logo, são, como vedes, matéria. Daí os sofrimentos da fome, do frio etc., sofrimentos que os Espíritos superiores não podem experimentar, visto que os fluidos terrestres se acham depurados em torno do pensamento, isto é, da alma.”
(O Livro dos médiuns, Cap.1 Item 51)
Sobre as sensações matérias, observando os trechos da codificação, chegamos a conclusão que os espíritos que a sentem participam de uma ordem não tão elevada, onde ainda são muito influenciados e ligados a matéria.
4. A obra trás também outros assuntos polêmicos e duvidosos, da qual iremos citar alguns:
– Divisões do corpo perisspiritual não reconhecidas ou abordadas pelas obras básicas e pelas obras subsidiarias da doutrina espírita.
– Uso da imagem de outros espíritos reconhecidos como a de Chico Xavier e Eurípedes Barsanulfo deixando a impressão que o autor usa desses nomes para ganhar credibilidade)
-O autor narra em diversas passagens elogios e agradecimentos de outros espíritos direcionados a ele mesmo (mostra a vaidade mais uma vez dando a entender que deseja ganhar credibilidade diante desses elogios)
-Em diversas passagens narra trechos e indica obras escritas pelo mesmo autor encarnado e publicadas pela mesma editora (dando a entender que o espírito faz propaganda para o médium e para a editora)
5. Concluímos que, embora a obra apresente alguns pontos duvidosos e polêmicos (que poderão ser estudados e descartados) ela também trás uma grande e valiosa advertência ao orgulho e vaidade que pode ser gerado em nós espíritas diante das tarefas, principalmente daqueles que ocupem cargos de presidência, coordenação e ou administração de uma atividade ou instituição.