– TEMÁTICA CENTRAL:
O título já antecipa a essência da narrativa: uma luta que ultrapassa os limites da mera sobrevivência, revelando o anseio pelo bem-estar emocional e pela realização pessoal. Ao longo da trama, o romance evidencia a condição da mulher nos contextos rurais do Brasil, frequentemente reduzida a moeda de troca ou força de trabalho complementar. Acrescenta-se ainda a dimensão espiritual, fruto de sua origem mediúnica, que permeia a história e sugere que a verdadeira felicidade transcende as circunstâncias materiais.
– DESENVOLVIMENTO DA OBRA:
A protagonista Júlia é apresentada como uma jovem aprisionada pelas tradições rígidas de sua família. Sendo a única filha, vê-se compelida a aceitar um casamento arranjado com João Lino, um homem mais velho e distante de seus sonhos e desejos. O enredo acompanha sua resistência silenciosa e a busca por um caminho próprio, em contraste com a submissão esperada pela sociedade rural da época.
Júlia simboliza o conflito entre seguir o destino imposto por outros ou lutar pela autonomia de sua vida. O romance denuncia a forma como as mulheres eram frequentemente tratadas como instrumentos de conveniência, privadas de voz sobre suas escolhas mais íntimas.
A narrativa também sugere que a felicidade não se restringe ao plano material, mas envolve uma dimensão espiritual capaz de dar sentido às adversidades. É uma trama envolvente, marcada por reflexões sobre o papel da mulher e pela crítica às estruturas sociais conservadoras. O tom, ao mesmo tempo dramático e esperançoso, convida o leitor a refletir sobre como o desejo de ser feliz pode se transformar em um ato de coragem e resistência.
Desejo de Ser Feliz transcende o drama pessoal de Júlia e se torna uma reflexão universal sobre a busca pela felicidade. Ao expor os limites impostos pela tradição e ao valorizar a força interior da protagonista, a obra reafirma que a verdadeira realização nasce da coragem de desafiar convenções e da certeza de que a felicidade é um direito de todos.
– ALGUNS PONTOS RELEVANTES:
“Ele (DEUS) jamais iria permitir que uma pessoa trouxesse prejuízos à nossa vida se não houvesse uma razão justa para que isso ocorresse e se isso, de alguma forma, não fosse se reverter em algum tipo de aprendizado pra nós.”
“As provações, expiações e reparações fazem parte do processo de evolução espiritual e cada um de nós experimenta o que está programado para cada encarnação. Depois, mais purificados, voltamos ao plano espiritual e damos sequência aqui ao infinito o indispensável aprendizado. É assim que as coisas funcionam. As leis de Deus são desse modo. Querer mudá-las é o maior equívoco que podemos cometer, pois elas são perfeitas, ainda que muitas vezes incompreendidas por nós.”
“- Então, enquanto que o inimigo que eu mesmo angariei por causa da minha ganância estiver me vigiando, eu deixo de voltar a cometer erros e a conquistar mais inimizades. No fundo, mesmo parecendo uma coisa ruim, a vigilância do Espírito obsessor tem as suas vantagens.”
“…o Espírito vingativo é antes de tudo, um irmão em sofrimento que ainda não compreendeu a necessidade de perdoar as fraquezas alheias. Ele também precisa de orientação e amparo.”
“- Meu filho, existem coisas no mundo que os nossos olhos de carne não conseguem detectar, mas que nem por isso deixam de existir. Na verdade, eu não faço nada sozinha, porém com ajuda de amigos espirituais que por algum motivo vocês não conseguem ver, mas eu consigo.”
– O QUE DIZ A DOUTRINA ESPÍRITA:
“Não sou feliz! A felicidade não foi feita para mim! — exclama geralmente o homem em todas as posições sociais. Isso, meus caros filhos, prova, melhor do que todos os raciocínios possíveis, a verdade desta máxima do Eclesiastes: “A felicidade não é deste mundo.” Com efeito, nem a riqueza, nem o poder, nem mesmo a florida juventude são condições essenciais à felicidade. Digo mais: nem mesmo reunidas essas três condições tão desejadas, porquanto incessantemente se ouvem, no seio das classes mais privilegiadas, pessoas de todas as idades se queixarem amargamente da situação em que se encontram. Diante de tal fato, é inconcebível que as classes laboriosas e militantes invejem com tanta ânsia a posição das que parecem favorecidas da fortuna. Neste mundo, por mais que faça, cada um tem a sua parte de labor e de miséria, sua cota de sofrimentos e de decepções, donde facilmente se chega à conclusão de que a Terra é lugar de provas e de expiações.
[…]Assim, pois, meus queridos filhos, que uma santa emulação vos anime e que cada um de vós se despoje do homem velho. Deveis todos consagrar-vos à propagação desse Espiritismo que já deu começo à vossa própria regeneração. Corre-vos o dever de fazer que os vossos irmãos participem dos raios da sagrada luz. Mãos, portanto, à obra, meus muito queridos filhos! Que nesta reunião solene todos os vossos corações aspirem a esse grandioso objetivo de preparar para as gerações porvindouras um mundo no qual já não seja vã a palavra felicidade.”
Evangelho Segundo o Espiritismo – Cap. V item 20.
– SOBRE O AUTOR:
Poeta, escritor e palestrante. Membro de três Academias de Letras, escreve desde a adolescência, tendo recebido vários prêmios literários em âmbito nacional e distinções de mérito cultural. Tem mais de trinta livros (próprios e mediúnicos) publicados, distribuídos entre os gêneros romance, poesia, conto e infanto juvenil. É vinculado à equipe de médiuns do Grupo Espírita Pescadores de Amor, localizado no bairro de Itaquera, em São Paulo.