IMPRESSÕES SOBRE A OBRA
– TEMÁTICA CENTRAL:
“O autor, por meio deste livro, recorda os primeiros passos de um movimento que, no século XIX, ficou conhecido como ‘espiritualismo moderno’; nas mãos de Kardec, esse movimento assume a forma de uma nova doutrina. Contemporâneo de Kardec, o autor presencia diversos fenômenos mediúnicos, comuns em sua época; analisa-os, observa-os e conclui pela veracidade desses acontecimentos, confirmados também por inúmeras experiências vividas por diferentes pessoas, muitas delas anônimas. Essas testemunhas, em uníssono, relataram o que observaram nos fenômenos produzidos pelos Espíritos, demonstrando a continuidade da vida e buscando despertar a humanidade para uma verdade capaz de libertá-la do materialismo.”
– DESENVOLVIMENTO DA OBRA:
“O relato se desenvolve a partir do encontro do autor com aquilo que mais tarde chamou de uma ciência não convencional, voltada para fenômenos desconhecidos da ciência até então conhecida pelo homem. A partir desse contato, dedica-se com perseverança e estudo a compreender a razão e a finalidade do que se apresentava como digno de atenção. Nos fenômenos mediúnicos, reconhece a presença de seres inteligentes e os ensinos de elevado valor moral que transmitiam. O autor descreve diversas experiências vividas ao lado de inúmeros médiuns e registra cada uma delas de forma sistemática. Além disso, evidencia a importância de tais registros como testemunhos históricos de uma época em que o debate sobre espiritualidade e ciência se intensificava. Sua obra não apenas relata fatos, mas também busca estabelecer um método de observação e análise, aproximando o estudo dos fenômenos mediúnicos de uma investigação racional. Dessa forma, contribui para a consolidação de um campo de conhecimento que, embora marginalizado pela ciência oficial, despertava grande interesse social e filosófico. O autor demonstra que os fenômenos não se limitavam a manifestações isoladas, mas constituíam parte de um movimento coletivo que visava revelar à humanidade a continuidade da vida e a necessidade de uma ética espiritual.”
– ALGUNS PONTOS RELEVANTES:
“Uma falácia comum parece-me presente em todos os argumentos contra os fatos considerados miraculosos, quando se assegura que eles violam, ou invadem, ou subvertem as leis da natureza. Isto é realmente presumir mais do que pode ser decidido, já que, se o fato em discussão realmente aconteceu, ele só poderia estar de acordo com as leis da natureza, já que, por definição, “lei da natureza” é aquela que regula todos os fenômenos.”
“Toda história do progresso do conhecimento humano nos mostra que o controverso prodígio de uma era se transforma em fenômeno natural aceito na próxima e que muitos aparentes milagres eram decorrentes de leis da natureza subsequentemente descobertas.”
“Que seres inteligentes possam existir ao nosso redor, imperceptíveis, durante toda a nossa vida, e ainda serem capazes de fazer conhecida sua presença atuando na matéria sob certas condições, será inconcebível para alguns e posto em dúvida por muitos mais. Mas nos aventuramos a dizer que nenhuma especulação da ciência moderna irá condenar a sua possibilidade.”
“No universo infinito devem haver possibilidades infinitas de sensação, cada uma tão distinta das demais como a visão o é do paladar ou da audição, e tão capaz de estender a esfera de conhecimento e o desenvolvimento do intelecto daquele que a possui como o sentido da visão ao ser adicionado aos demais sentidos que possuímos.”
“Nós devemos apenas confessar, como um moderno homem de ciência, que “nossos cinco sentidos são nada mais que instrumentos toscos para investigar o imponderável”, e deveríamos ver um novo e mais profundo significado nas muito citadas, mas pequenas palavras cuidadosas do grande poeta, quando ele nos lembra que “há mais coisas no céu e na Terra que supõe a nossa filosofia””.
– O QUE DIZ A DOUTRINA ESPÍRITA:
“Se a crença nos Espíritos e nas suas manifestações representasse uma concepção singular, fosse produto de um sistema, poderia, com visos de razão, merecer a suspeita de ilusória. Digam-nos, porém, por que com ela deparamos tão vivaz entre todos os povos, antigos e modernos, e nos livros santos de todas as religiões conhecidas? É, respondem os críticos, porque, desde todos os tempos, o homem teve o gosto do maravilhoso. — Mas, que entendeis por maravilhoso? — O que é sobrenatural. — Que entendeis por sobrenatural? — O que é contrário às leis da Natureza. — Conheceis, porventura, tão bem essas leis, que possais marcar limite ao poder de Deus? Pois bem! Provai então que a existência dos Espíritos e suas manifestações são contrárias às leis da Natureza; que não é, nem pode ser uma destas leis. Acompanhai a Doutrina Espírita e vede se todos os elos, ligados uniformemente à cadeia, não apresentam todos os caracteres de uma lei admirável, que resolve tudo o que as filosofias até agora não puderam resolver. O pensamento é um dos atributos do Espírito; a possibilidade, que eles têm, de atuar sobre a matéria, de nos impressionar os sentidos e, por conseguinte, de nos transmitir seus pensamentos, resulta, se assim nos podemos exprimir, da constituição fisiológica que lhes é própria. Logo, nada há de sobrenatural neste fato, nem de maravilhoso. Tornar um homem a viver depois de morto e bem morto, reunirem-se seus membros dispersos para lhe formarem de novo o corpo, sim, seria maravilhoso, sobrenatural, fantástico. Haveria aí uma verdadeira derrogação da lei, o que somente por um milagre poderia Deus praticar. Coisa alguma, porém, de semelhante há na Doutrina Espírita.”
Livro dos médiuns – Cap. II item 7.
– SOBRE O AUTOR:
Wallace é lembrado como um naturalista brilhante, coautor da teoria da seleção natural e pioneiro da biogeografia. Mas sua biografia ganha uma dimensão singular ao incluir sua defesa do Espiritismo. Essa escolha revela um cientista que não se limitava às fronteiras da ciência convencional, buscando compreender também o invisível. Se por um lado isso lhe custou prestígio acadêmico, por outro mostra sua coragem intelectual e sua disposição em explorar territórios marginais do conhecimento.
Em resumo, Wallace foi tanto um explorador da natureza quanto um explorador da espiritualidade, e essa dualidade marca sua trajetória como uma das mais originais do século XIX.
INDICAÇÃO
Para os estudiosos e pesquisadores da Doutrina Espírita.
