Laura Mano Horta

(Texto original – colaboração de Eduardo Condé)

Um exemplo de mãe espírita, de fé e de obras.

Laura Horta 1Para falar de Dona Laura, minha sogra, entrevistei três de seus filhos adotivos: Marco Antônio Mano Horta, o Marquinho (cunhado), Edite Assunção (cunhada) e Márcia Maria Monteiro Condé (esposa).

Natural de Juiz de Fora – MG, Laura Mano Horta nasceu a 11 de outubro de 1920. Era casada com José Christo Horta, com quem mudou-se para Belo Horizonte.

Sentindo em si um forte impulso maternal, apesar de sua infertilidade, D. Laura criou 15 filhos de raças, cores e pais diferentes: Arlete, Edith, Lúcio, Luzia, Margarida, Joana, Ronaldo, Márcia, Elizabete, Eliana e Marquinho. Alguns por pouco tempo: Paulinho, um outro de nome Marco Antônio, Áurea e Pitt (holandês).

Marquinho fala assim sobre sua mãe adotiva:

“– Mãe igual a ela não existe. Não era mãe de sangue, mas era muito mais, mãe duas vezes, muito carinhosa e dedicada.

Algumas de suas qualidades: caridade, humildade, simplicidade. Era um exemplo do que Jesus falou, de amor ao próximo.

Poderia ter sido rica, andar bem vestida, usar jóias, viajar e gozar a vida, pois era uma dona de casa prendada, casada com um competente engenheiro (Sr. Christo), bem empregado na empresa Correios e Telégrafos (atualmente Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos). Ao invés disso, optou por um caminho de dever e renúncia, deixando de viver a vida dela para criar os filhos de outros. Foi também enfermeira da Cruz Vermelha.”

JChristo LauraMHortaPara Edite, um outro forte aspecto de D. Laura foi o de educadora. Ensinava de tudo: cuidar da casa, cozinhar, corte e costura, bordados e, principalmente, o comportamento ético. Não gostava de mentira e premiava quando percebia que um dos filhos falava a verdade.

Edite destacou a presença do Sr. Christo, sempre apoiando as ações de d. Laura. Confirmou que era de fato um engenheiro bem sucedido, havia placas com o seu nome em obras por toda Belo Horizonte, mas muitos trabalhos ele não cobrava, para ajudar os mais carentes.

Para Márcia, a maior característica de D. Laura era a de mãe: mãe que ensina, que educa, que tem paciência, mãe de verdade. Ela passava valores espirituais, pela palavra e pelo exemplo de muita fé, sem preconceitos, muito aberta a qualquer questão.

Quanto aos pais adotivos, Márcia enfatizou que o casal Laura Mano Horta e José Christo Horta estavam juntos, em qualquer situação.

“– Eles não brigavam, não discutiam na frente dos filhos (apesar de terem seus pontos de vista diferentes). E com isso, nós aprendemos com eles. Na postura evangélica e espírita, na forma de criar os filhos, os dois eram muito parecidos.”

Talento e sensibilidade

Para mim, que convivi com eles durante cerca de onze anos, o casal transparecia entendimento: eram dois espíritas convictos. Apesar de ser uma casa sempre movimentada, a harmonia estava presente. Sr. Christo era muito alegre, brincalhão, colocava apelidos afetuosos em todos os filhos. D. Laura tinha alma de artista, era criativa e habilidosa. Pintou lindas telas, costurava e bordava, revelava-se uma excelente quituteira na cozinha.

Além de tudo isso, D. Laura revelou para mim o lado bonito do Espiritismo. As primeiras canções espíritas que ouvi foram Hino Prece, de João Cabete, que ela cantava sempre na abertura do Culto Evangélico no Lar, às quartas feiras, em sua casa, à Rua Florida, 52, Sion, Belo Horizonte; e É Bom Viver, que aprendi com ela e cantava para ninar meus filhos.
Duas importantes conquistas eu fiz a partir da convivência com esta família: a descoberta da maravilhosa literatura espírita e o deslumbramento com a arte espiritualizante, através do Coral Espírita Irmã Scheilla, no qual minha cunhada – Edith – e seu esposo – João de Deus – cantam.

O Natal mais bonito que eu já vi

Em 24 de dezembro de 1975, fui convidado pelo amigo Francisco de Paula Pereira, a participar da comemoração de Natal, na casa de Laura Mano Horta e José Christo Horta.
Encantei-me com o que presenciei. A mesa, lindamente enfeitada, com velas e flores, sobre a toalha bordada. Roscas deliciosas, tortas doces e salgadas dando água na boca.

Na sala, a árvore de Natal, com luzinhas piscando e os presentes em baixo. Faixas e guirlandas completavam a decoração do ambiente.
Mas, houve algo que me impressionou muito mais.

Alguns minutos antes da meia noite, apagaram-se as luzes e acenderam-se as velas. Uma expressão de fé e concentração surgiu no rosto das pessoas, ao impacto dessa iluminação feérica. O ruído do ambiente foi diminuindo e até as crianças se aquietaram.

D. Laura, de pé, à cabeceira da mesa, fechou os olhos e pronunciou uma linda oração, falando do nascimento de Jesus e a o seu significado para nós.
Fiquei muito impressionado com tudo aquilo e pensei:

– Isto sim, é Natal.

A cena se tornou inesquecível para mim.

Eu não sabia, ainda, que a minha hora de conhecer o Espiritismo havia chegado. E o meu aprendizado espírita começou assim, entre as cores e luzes do Natal, na casa de D. Laura.

Laura Mano Horta desencarnou a 27 de outubro de 1987, no 8o. andar do Hospital Belo Horizonte (antigo Hospital Evangélico). Causa mortis: câncer intestinal. D. Laura frequentava o Centro Espírita Oriente (atual Grupo da Fraternidade Irmã Scheilla) e a Casa Espírita André Luiz, em Belo Horizonte. Hoje é mentora da Equipe de
Visitas No.52, da FEIG.

Eduardo Condé