A orientação mediúnica

A orientação mediúnica que buscamos na Fraternidade Espírita Irmão Glacus está revestida de lições que precisamos descobrir – retirar o véu da letra.
São palavras grafadas de lições imorredouras que o solicitante, ansioso para ter o seu “desejo” respondido, terá deveras dificuldade de ir além da grafia.
Como todo recurso da misericórdia, a orientação, como o nome já esclarece, é um roteiro aos que a buscam.
André Luiz, em suas obras amplia-nos a visão de como se dá o mecanismo.
Vamos buscar refletir sobre o seu conteúdo.
Aparentemente, são palavras sem sentido profundo à Alma imatura, mas bastará buscar o significado para que se amplie: “Paz e alegria; Jesus abençoe; cooperaremos; ler os livros…; cooperar em uma tarefa de caridade; preces no lar, intuiremos”, são muitas… Tratados para os bem-aventurados…
Precisamos mergulhar no significado destas palavras, contextualizando-as, sentindo-as… Os benfeitores espirituais buscam tocar-nos em nossas necessidades de arrependimento, expiação, reparação e de entendimento acerca das coisas do espírito. E nós desejamos, com comportamentos infantis, respostas às nossas atuais necessidades emocionais e materiais. Vejamos: Que significado poderia ter “Paz e Alegria”?
A Paz só a tem os Espíritos que já venceram, ou melhor dizendo, domaram as suas más inclinações, a ponto de estas serem o combustível da Vontade¹, descrita por Emmanuel, como sendo a gerente de uma organização que tem sobre a sua tutela os departamentos do desejo; da inteligência; da imaginação; da memória…
Paz só a sentem os Espíritos que já exercitam a indulgência consigo.
Paz só a compreendem as Almas que têm burilado a sua vaidade, nas multifaces da personalidade.
Paz é obediência, consentimento da razão.
E a Alegria? A coirmã da Paz. Nela temos a possibilidade de exercitar o Amor em sua mais simples expressão. Não devemos associar a alegria à euforia, ao entusiasmo, às expressões do sorriso facial e corporal.
A alegria é um estado d’Alma. Há seres que nas maiores adversidades materiais e morais são portadores dela. Somente a adquirimos quando já é um estado d’Alma, a espelhar-se em nós. Como? A aceitação de como somos nesta existência – o corpo físico com sua beleza e as deformidades da nossa personalidade, pelas escolhas transatas a nos reclamar corrigenda e transformação. A alegria se instala na Alma que busca dar um sentido existencial à própria vida.
A alegria é um estado de espiritualidade. Portanto, jamais é sentida nas coisas materiais. Somente possuem a alegria, os Espíritos que têm empatia pelo seu semelhante, pois o vê como um Irmão e Irmã que, como ele, está no seu bom combate. Alegria é resignação, consentimento do coração.
Então, “Paz e Alegria” é resultado daquele Ser que se autodescobriu e mais, tem se esforçado para transformar suas realidades íntimas, a partir das suas relações no lar, no trabalho, em sua religiosidade, nas relações sociais. E também descobriu que para ter paz e alegria é necessário vencer com muita renúncia e abnegação – recursos de ordem científica e não meros ritos religiosos.
Desta feita, o que os Benfeitores estão a nos dizer é que precisamos começar, continuar, nos dedicando a clarear quem somos, para enfim nos amarmos…
A nós, os Espíritas, foi ofertado pela misericórdia este contato íntimo com os moradores de outras dimensões do Amor. Pensemos sobre este prisma. Construa o teu amor a partir das suas realidades, ao invés das ilusões do ego e verás que és um “filho” abençoado, pois, em uma noite, em que tua alma angustiada pelos pecados da dor, vem em busca do Cristo Jesus, por meio de outro “filho” despido do corpo físico, que como tu, luta para vencer os seus dramas expiatórios em busca da paz e alegria.
Que Jesus, conhecedor de todos nós, continue a reluzir em nossas almas, nas várias dimensões da vida, o seu infinito amor a nós, seus Irmãos do caminho.
Aos Espíritas que se dispõem a serem os intérpretes do Rabi da Galileia, recebam a nossa gratidão pelo esforço em vencer a si mesmos, ofertando-nos o seu amor e o amor de nosso Pai, Deus.

Júnior

¹Pensamento e Vida, Francisco Cândido Xavier, ditado Pelo Espírito Emmanuel

Imagem: Freepik – pikisuperstar