Fé e bom ânimo sempre

Talvez nunca tenha sido tão difícil, para muitos de nós, manter a fé e o bom ânimo como nos dias atuais. Estamos sendo convocados ao crescimento espiritual através de provas individuais e coletivas intensas, que estão aferindo a nossa fé em cada momento do nosso dia a dia.

Sentimo-nos como se estivéssemos atravessando um mar revolto de dificuldades, incertezas, infortúnios. Como se um vendaval de acontecimentos nos transportassem para tempestades provacionais inimagináveis.

Esta travessia nos remete ao Evangelho de Jesus, em Mateus (4:22-36), quando o Mestre estava em um barco com seus discípulos e acalmou a tempestade. Mais tarde, notando que o barco havia se afastado devido à ventania, Jesus foi até eles caminhando sobre as águas.

Pedro então disse-lhe: “Se és tu, Mestre, mande-me ao seu encontro sobre as águas!”, e Jesus permitiu. O apóstolo, assim, começou a caminhar. Porém, num dado momento, começou a temer e afundar e pediu socorro ao Mestre. Jesus, então, segurou-o firme em suas mãos, dizendo: “Homem de pouca fé. Por que duvidaste?”. Ao subirem no barco, o mar bravo se acalmou e todos se sentiram aliviados.

Mas como ter fé suficiente para nos mantermos firmes e com bom ânimo durante os momentos mais desafiantes da vida?

Primeiramente, é preciso reconhecer que a fé não é algo que chega até nós sem esforço da nossa parte. Não é transmitida através da convivência, da admiração ou do pertencimento a uma crença ou religião.

A fé é uma conquista pessoal. Devemos reservar um lugar para que ela seja cultivada em nosso coração, assim como uma planta, que necessita de ser regada e cuidada todos os dias, para que cresça e nos sustente com sua fortaleza, sua sombra e seus frutos nas horas difíceis. Demonstrar a fé quando não somos desafiados pelas intempéries e incertezas da vida é muito fácil. Mas não tem sido tão fácil provar a nossa fé diante das dificuldades e riscos que a vida nos apresenta, atendendo ao convite de Jesus, que nos chama a caminhar sobre as águas revoltas, mas permanece ao nosso lado, nos estendendo a mão e acalentando a certeza de que Ele nunca nos deixará a sós.

Ter fé é confiar. Mas acreditar é diferente de confiar. Embora a diferença seja sutil, a confiança exige mais de nós, é um ato de entrega. Nós podemos acreditar em muitas coisas, mas a confiança em Cristo nos propõe sairmos de nós mesmos e nos entregarmos em suas mãos com a certeza do amparo. A certeza nasce da infalibilidade Dele, e a confiança inclui aceitarmos os desígnios de Deus em tudo aquilo que não podemos mudar em nossas vidas e nos acontecimentos que estão além do nosso controle. A confiança nos inspira à resignação e à ação na hora de transformarmos tudo aquilo que cabe a cada um de nós mudar ou renovar. Não é passividade, é calma. É paz para aguardar, para saber quando agir e quando recuar diante do caminho.

Nossas ações são impulsionadas pela fé. “A fé e o amor são as forças mais poderosas do universo”, como já dizia Madre Teresa de Calcutá, mulher que representou a personificação da fé entre nós, tendo sua essência na caridade. A fé sem obras é morta. O que realmente nutre a fé é a caridade conosco e com o nosso próximo.

No livro Intervalos, psicografia de Chico Xavier, na lição intitulada “Fé, trabalho e merecimento”, Emmanuel nos ensina que “a fé vitoriosa é aquela que se alicerça no trabalho. A esperança ociosa é simples divagação. Se estamos procurando entesourar a fé, não acreditemos que isso possa ser feito namorando altares de pedra. Que a fé seja buscada no lugar de serviço que o mundo nos reserva.”.

 Nunca devemos nos esquecer também dos frutos da resiliência, amadurecidos pela fé viva dentro de nós ao longo do tempo. Tenhamos a certeza de que tudo passa, temporadas tristes e felizes. Tudo chega, passa e vai embora. A fé é a que sempre fica. Ao lado da esperança, a fé é a que nos mantém dispostos a continuar, a lutar, a almejar a felicidade possível e a alegria de viver.

Se a fé está presente, é ela que nos permite dar um passo à frente rumo a uma solução, quando tudo parece perdido. É uma voz que nos fala: “Não desista! Recomece! Renove!” e que nos aponta novos caminhos. Que nos faz estender as mãos para buscar ajuda, seja para nós mesmos ou para o nosso próximo.

Buscar novas maneiras de preencher nosso tempo com esperança e bom ânimo é uma forma de ativarmos nossa fé. Muitas vezes, o desânimo chega sorrateiramente e vai nos espreitando de todos os lados possíveis, decorrente das horas vazias, daqueles momentos em que escolhemos “não fazer nada”. Uma sugestão é que não nos permitamos mais de uma hora de ócio por dia. É importante não descansarmos além do necessário, porque é muito fácil de confundir desânimo com cansaço.

O desânimo pode vir também depois das palavras amargas que proferimos ou que nos chegam os ouvidos. Ou vem de mãos dadas com a solidão, quando nos negamos à solidariedade, assim como após um fracasso aparente, uma frustração ou até mesmo após as perdas, que acabam por abalar naturalmente o significado que dávamos à vida, nos convidando, então, à renúncia, ao desapego e à busca de um novo sentido para a nossa existência aqui na Terra.

Nestes momentos, tudo o que precisamos é orar e vigiar! É estender uma de nossas mãos para o Cristo e buscar auxílio através da prece, do Evangelho, do culto no lar. E a outra mão, estendermos ao nosso próximo praticando a caridade. É lembrar também que existem livros edificantes nos aguardando, além da ocupação útil, seja através de uma tarefa doméstica, um artesanato, de uma conversa elevada com o nosso próximo, uma brincadeira com uma criança, do cuidado com as plantas ou com os animais, de ouvir uma música, de aprender ou ensinar, de assistir a uma palestra ou filme edificante, ou qualquer outro programa que eleve o padrão vibratório dos nossos pensamentos, que nos faça sorrir mais. Enfim, são apenas alguns exemplos de atividades que podemos integrar à nossa nova rotina e que nos ajudam a substituir as ideias fixas e os pensamentos negativos por pensamentos saudáveis, que renovam as nossas energias, nos aliviando o coração e a mente, através da transformação de tudo aquilo que é possível transformar.

Quando pensamos numa representação viva da fé nas fases dolorosas da humanidade, logo nos vêm à mente os antigos cristãos, exemplificados no livro Ave Cristo de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier. Eles possuíam uma fé inquebrantável, de tal forma que nada os atemorizava quando convocados ao testemunho. Hoje, não temos mais as feras e os postes, mas sim uma nova realidade criada por nós mesmos, da qual somos herdeiros por desacatarmos as leis universais, estando agora convocados à reparação e construção de uma nova era.

Que possamos estar dispostos, confiantes, esperançosos e operantes nesta grande nau, acalentando em nós a certeza de que o Cristo está no leme, como ilustrou muito bem João Cabete, ao nos presentear com esta belíssima canção:

“Deus, contempla no infinito

A terra em desamor constante

Conflitos dilaceram corações

É a guerra, vagando aos turbilhões.

Apaga-se o milênio

A sombra deblatera

De polo a polo a dor

Reclama em longa espera.

O mundo estala e treme

A luz prossegue e brilha

O Cristo está no leme

Preparando a terra

A nova madrugada

O sol da nova Era

Irá brilhar na terra

Como eterna primavera.

Iluminando os caminhos

Floridos de paz

Na glória do porvir

No imenso azul profundo.

Estrelas acenam ao mundo

A alegria e a esperança

É sublime a aliança

Na harmonia que enternece

E a vida refloresce

Em sorrisos de esplendor

O Cristo amado está no leme

Na alvorada da bonança

Em hosanas ao Senhor

O limiar do mundo novo

Cantará na voz do povo Hinos de paz, hinos de amor”.

Adriana Souza

Ore, estude, trabalhe e confie

O mundo nos confunde. Isso é fato. Mas o mundo é um termo muito subjetivo. Podemos dizer que a mídia nos confunde. No entanto, não resolve muito, não é mesmo? Quem sabe as pessoas? Sim. As pessoas nos confundem! Melhorou um pouco. Mas… Que pessoas? Onde elas estão? As pessoas com quem convivemos, ora. Opa! E com quem mais convivemos? Com nós mesmos! Agora sim. Quando não sabemos ou conhecemos algo, ficamos vulneráveis à confusão.

Quando se trata de intercâmbio mediúnico, a situação é semelhante. Sem conhecimento e impressionados pela sua natureza transcendente, estamos sujeitos a corromper a sua real finalidade, que é o serviço ininterrupto no bem. Daí a frequente confusão entre a mediunidade evangelizadora e a mediunidade espetacular. A mediunidade espetacular atrai porque atende a algumas necessidades de natureza inferior, tais como a vaidade, o orgulho e a competição. Sou o melhor médium? É preciso ficar alerta para inibir e evangelizar esses impulsos toda vez que decidimos avaliar o nosso estágio de desenvolvimento tendo como parâmetro o que julgamos ser o grau de desenvolvimento do outro. E isso pode ser aplicado em qualquer área de nossas vidas. Quem assim se comporta declara, mais uma vez, um desconhecimento sobre si mesmo(a) e, claro, sobre o outro. A nossa referência deve necessariamente ser nós mesmos. O simples hábito da autoanálise promove uma liberdade de consciência e um alívio derivado da retirada da pressão que nos submetemos a todo instante, ao considerar excessivamente o julgamento de tantos que procuram comandar a nossa vida.

 A mediunidade evangelizadora é autoaplicativa. É parte integrante do grande e sublime projeto de reforma íntima. Todos somos médiuns! Assim aprendemos na Doutrina Espírita. Portanto, não importa se a mediunidade é ostensiva. Seja como for, é por meio dela que estabelecemos um intercâmbio com os espíritos com vistas ao aprendizado e ao crescimento espiritual. É evidente que, para se alcançar este estágio, será necessário algo mais que conhecimento. Destaco a humildade e a vontade.

 A humildade permitirá que eu reconheça a minha necessidade e me identifique com tantas almas e espíritos com suas respectivas necessidades. Você já reparou que somos predispostos a perceber o sofrimento do outro em nossos momentos de dor? Por isso, sem nos deixarmos imobilizar, é muito importante mantermos em mente a ideia da evolução a todo instante. Desta forma, a humildade aliada ao perdão fará maravilhas em nosso favor. A força de vontade é outro recurso fundamental para que concebamos a mediunidade como recurso de amor. Quando julgamos que a meta a alcançar está muito distante, tendemos a desanimar e nos imobilizar. Por efeito, o planejamento em longo prazo não se inicia e a desejada reforma íntima fica comprometida. Emmanuel resume tudo isso destacando que mediunidade “é, acima de tudo, caminho de árduo trabalho em que o espírito, chamado a servi-la, precisa consagrar o melhor das próprias forças para colaborar no desenvolvimento do bem.”[1]

Você se considera um espírito chamado a servir a mediunidade? Você de fato acredita nisso e vive esta certeza? Em caso de resposta afirmativa, ore, estude, trabalhe no bem e confie. Agindo assim você atrairá os bons espíritos, que serão valiosas companhias nos momentos de experimentação. Lembre-se que diariamente sua alma se emancipa e você vive sua mediunidade com maravilhosas perspectivas de serviço ininterrupto no bem. “Essa é a única senda de acesso à vida mais alta, através da qual, auxiliando sem a preocupação de ser auxiliado, servindo sem exigência e distribuindo, sem retribuição, os talentos que recebe, poderá o medianeiro honrar efetivamente a mediunidade, por ela espalhando os frutos de Paz e Amor que lhe repontam da vida, em marcha gradativa para a Grande Luz.” {1} Palavras de Emmanuel.

[1] Mediunidade e sintonia: Cap.5 “Mediunidade”, Francisco Cândido Xavier. Pelo espírito de Emmanuel.

Vinícius Trindade

Em louvor do equilíbrio

“Toda a amargura, cólera, ira, gritaria e blasfêmia sejam retiradas dentre vós, bem como toda a malícia.” Paulo (Efésios, 4:31)

Na própria senda comum, surpreendemos a ação do equilíbrio que exclui todo assalto da violência e qualquer devoção à imundície.

Nas cidades litorâneas, diques reprimem o mar furioso prevenindo calamidades e arrasamentos.

 Nos grandes edifícios modernos, para-raios seguros coíbem o impacto fulminatório das faíscas elétricas.

 Desde tempos longevos, esgotos sólidos extraem detritos do pouso humano.

Cada templo doméstico possui sistemas habituais de limpeza.

Entretanto, no campo do Espírito, o Homem desavisado acalenta nas fibras do próprio ser o lodo da maledicência e o lixo da mágoa, libertando os raios da blasfêmia e a onda letal da ira, ferindo os outros e atormentando a si mesmo…

Quantas enfermidades nascem dos pântanos da amargura e quantos crimes se configuram no extravasamento da cólera! Impossível enumerá-los…

Se a mensagem do Evangelho te anuncia as Boas Novas da redenção, foge, assim, ao domínio da viciação e da crueldade.

À frente da irritação e do desalento, da agressividade e da injúria, oferece o dom inefável de tua Paz, falando para o bem ou silenciando na grande compreensão, porque em ti, que guardas o nome do Cristo empenhado na própria vida, o reino do amor deve começar.

(Mensagem do Livro Caminho, Verdade e Vida, pelo Espírito Emmanuel – Médium: Francisco Cândido Xavier)

Caridade não exclui prudência, bom senso e responsabilidade

A residência humilde de Isabel e Isidoro funcionava como oficina de assistência cristã há quase vinte anos, contando com alguns cooperadores que lá prestavam serviço desde a sua fundação e outros que permaneciam como estagiários por períodos de dois anos. Dentre as inúmeras atividades socorristas e de estudos executadas naquele local, André Luiz nos deu a conhecer uma bem interessante. Em conversa com dois seareiros, nosso amigo tomou ciência de que há trabalhadores espirituais que têm a missão de conduzir às reuniões de estudos evangélico-doutrinários os irmãos ignorantes e sofredores que estejam em condições de participar. Esses tarefeiros eram auxiliares de apenas alguns quarteirões no centro urbano e faziam parte de um grande quadro de colaboradores.

Isso vem nos mostrar que o plano espiritual age de inúmeras e inesperadas formas. Os amigos da espiritualidade superior estão sempre dispostos a socorrer seus irmãos encarnados e desencarnados que estejam em condições de serem auxiliados. Dentre essas condições não podemos nos esquecer de mencionar algumas, tais como: merecimento, necessidade evolutiva, esforço e perseverança. É bom salientar isso porque, infelizmente, nem todas as criaturas se encontram prontas para receberem o auxílio que vem do Mais Alto. Uma prova disso é o próprio André Luiz, que permaneceu por cerca de oito anos nas regiões umbralinas até que pudesse ser resgatado pelos trabalhadores de Nosso Lar.

Enquanto prosseguia a conversa entre André e os dois auxiliares de serviço, um Espírito que integrava o corpo de orientadores da casa se aproximou e recomendou que a dupla observasse melhor o critério doutrinário ali empregado, pois seria completamente inútil levar às reuniões entidades vagabundas ou de má fé, obedecendo tão somente aos laços da simpatia. Tal instrução poderia nos parecer um tanto quanto dura e austera, porém o orientador explicou: “Não podemos perder tempo com Espíritos escarninhos e ociosos, nem com aqueles que se aproximam de nossa tenda alimentando certas intenções de natureza inferior. Não faltarão providências de Jesus para essa gente, em outra parte. Lembrem-se disso. Não é falta de caridade, é compreensão do dever. Temos um programa de trabalho muito sério, no capítulo da evangelização e do socorro, não podemos abusar da concessão de nossos maiores da Espiritualidade Superior. Quem aceita um compromisso não vive sem contas. Por muito que vocês amem a alguma entidade ociosa ou irônica, não facilitem os abusos dela. Ajudem-na de maneira individual, quando disponham de tempo e possibilidades para isso. Não arrastem o grupo a dificuldades. Não se esqueçam de que existem determinados núcleos de tarefa para os surdos e cegos voluntários.” [1].

Para corroborar com tal orientação, lembremo-nos de que o próprio Cristo ensinou: “Não deis aos cães as coisas santas, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não as pisem e, voltando-se, vos despedacem.”[2]. Assim, reconhecendo que a admoestação era justa, Vieira, um dos auxiliares, esclareceu: “Infelizmente, Hildegardo e eu temos alguns parentes desencarnados em dolorosas condições espirituais. Na reunião passada, trouxemos meu tio Hilário e o primo Carlos, embora soubéssemos que ambos não se encontram preparados para reflexões sérias, pelo desrespeito às leis divinas em que se movimentam, nos ambientes inferiores. Manifestaram-se ambos, porém, tão desejosos de renovação, que ouvimos, acima de tudo, a simpatia pessoal, esquecendo a necessidade de preparação conveniente. Vieram conosco, sentaram-se entre os ouvintes numerosos. Mas, em meio dos estudos evangélicos, tentaram assaltar as faculdades mediúnicas da irmã Isabel, para transmissão de uma mensagem de teor menos edificante. Sentindo-nos a vigilância e surpreendidos pelos cooperadores desta santificada oficina, revoltaram-se, estabelecendo grande distúrbio. Não fossem as barreiras magnéticas do serviço de guarda, teriam causado males muito sérios. Assim, a reunião foi menos frutuosa, pela grande perda de tempo. Ora, naturalmente, fomos responsabilizados…” [1].

Com esse relato, será que nós, espíritas, teremos uma noção maior de nossa responsabilidade junto à Espiritualidade Superior? Será que aprenderemos que a prática da caridade não exclui a prudência, o bom senso e a responsabilidade? Não é presunção dizer que o Espiritismo é para todos, mas nem todos ainda estão prontos para o Espiritismo. Vieira concluiu dizendo que “aqui não devemos abusar tanto do amor, como no círculo carnal! Ninguém está impedido de ajudar, querer bem, interceder; todos podemos auxiliar, os que amamos, com os recursos que nos sejam próprios, mas a palavra “dever” tem aqui uma significação positiva para quem deseje caminhar sinceramente para Deus.”[1].

Valdir Pedrosa

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 39 (Trabalho incessante).

[2] Evangelho Segundo Mateus 7:6

Olhai os lírios do campo

“Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles.” (Mateus 6:28-29)

Hoje pela manhã, ao levantar, fui às compras de domingo, atividade corriqueira, e me peguei a refletir sobre o quanto mudamos em pouco tempo nessa época de pandemia. E veio a preocupação: estaremos progredindo ou ainda “patinando” em nossas próprias imperfeições?

Nessas reflexões, um fato me chamou mais atenção que os demais: o quanto é difícil mudar na questão de amar. E aqui coloco todas as formas possíveis, por exemplo: ter mais tolerância, mais gentileza, mais sorrisos, mais força de vontade para servir ao próximo, mais palavras carinhosas, etc. Essa palavra “amor” foi muito bem definida pelo apóstolo João, quando disse que “quem não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (João 4:8).

Jesus, ao nos legar seu Evangelho, nos ensina a termos atitudes amorosas, como uma “tecnologia” adicionada aos nossos afazeres diuturnos. E para que tal tecnologia se incorporasse em nós, nos legou o seu Evangelho. A Boa Nova nos encanta no seu primeiro contato, mas necessita de nossa adesão irrestrita para que tenhamos um reflexo condicionado. Ou seja, na disciplina a que nos submetemos do fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem, teremos um procedimento amoroso, espontâneo. É o que nos afirma também Emmanuel, no livro Coragem: “a disciplina antecede a espontaneidade”. Um gesto amoroso repetido várias vezes condiciona o nosso proceder, tornando-o espontâneo pela criação de bons hábitos.

Nas sábias palavras de Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, “a educação convenientemente entendida constitui a chave do progresso moral. Quando se conhecer a arte de manejar caracteres, como se conhece a de manejar inteligências, conseguir-se-á corrigi-los, do mesmo modo que se aprumam plantas novas. Essa arte, porém, exige muito tato, muita experiência e profunda observação.” (O Livro dos Espíritos, questão 917).

Veja que o mestre lionês não discorria sobre a educação formal com a qual estamos acostumados, mas sim sobre a arte de mudar em nós os hábitos perniciosos que não possibilitam o avanço espiritual e o crescimento moral. Conhecer a si mesmo, com acurada inteligência, e fazer de nós instrumentos do bem onde quer que nos situemos. Pois quem vê a Deus só terá atitudes amorosas, tal qual nos afirma Jesus: “Quem vê a mim, vê Aquele que me enviou” (João 12:45).

Mas no começo de nossa conversa disse que estava a refletir pois não tinha certeza de nossa progressão espiritual. E isso se fundamenta no ditado “vivemos como se não houvesse amanhã”, porque estamos buscando a satisfação para os nossos desejos e sensações. E me lembrei do versículo que ilustra esse texto. Deus, nosso Pai, cuida de todos e de tudo que nos cerca, provendo o necessário para vivermos em felicidade. Isso mesmo: felicidade. Em O Livro dos Espíritos encontramos fundamento para essa afirmação:

“922. A felicidade terrestre é relativa à posição de cada um. O que basta para a felicidade de um, constitui a desgraça de outro. Haverá, contudo, alguma soma de felicidade comum a todos os homens?

‘Com relação à vida material, é a posse do necessário. Com relação à vida moral, a consciência tranquila e a fé no futuro.’”

Ora, novamente encontramos na regra áurea a chave para nossa harmonização e pleno acordo com a pergunta citada acima: fazer ao próximo o que gostaríamos que nos fizessem.

O fato de ter o necessário já bastaria para minha satisfação material, visto que a busca sem equilíbrio do ter me leva ao sofrimento por desejar aquilo que por hora ainda não posso ter ou, se tenho, por utilizar para minhas próprias satisfações, ao invés de empregar em atividade que traga utilidade. A consciência tranquila é a aprovação pessoal de que minhas atitudes perante a vida guardam relação com o Pai, refletem a sua beleza majestosa em mim, como filho e herdeiro de suas características amorosas. Não tendo nada que me desabone, estou em sintonia com Deus. E a fé no futuro representa a confiança com que me entrego a Deus, não como agente passivo, mas sim como força viva a atuar para engrandecer o Seu nome.

As palavras de Jesus “olhai os lírios do campo” são um cântico de amor, pois reconhecem em Deus o provedor de nossas necessidades. Tenhamos fé Nele para que, permanecendo Nele, seja cumprida a Sua vontade como lhe agrada.

Assim, “buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:33-34).

Como nos afirmam os bons espíritos, a hora é grave, mas se “Deus é por nós quem será contra nós?” (Romanos 8:31).

Muita paz a todos.

João Jacques de Freitas

Examina o teu desejo

Examina o teu Desejo é uma importante assertiva que Emmanuel nos faz em seu livro Mediunidade e Sintonia. A frequência das vibrações que emanamos continuamente, nossos pensamentos e sentimentos, determina a nossa sintonia, ou reciprocidade com o meio físico e espiritual. A energia que irradiamos espelha quem somos, o que sentimos, o que pensamos, enfim, o que desejamos. E assim, definimos nossas companhias espirituais.

Examinar nossos desejos significa analisar, avaliar se estamos vibrando nas faixas que condizem com os ensinamentos do Evangelho, que já conhecemos; se estamos cuidando do aperfeiçoamento das qualidades e das virtudes que nos cabe buscar. A encarnação nos proporciona várias ferramentas para evoluirmos e a mediunidade de tarefa é uma delas. Pressupõe a disposição de servir, sob a orientação e o amparo das equipes espirituais com quem nos comprometemos. Requer simplicidade, humildade, bondade e esforço de elevação.

Examinemos com sinceridade nossos hábitos e valores: nossos pensamentos são elevados ou nos perdemos na maledicência, nos julgamentos maldosos? Somos apegados aos bens materiais ou já exercitamos o desapego? Usamos de ironia, de sofismas, malicia? Depreciamos amigos, familiares, colegas? Sentimo-nos pretensamente superiores? As respostas nos indicarão a qualidade de nossas vibrações e de sintonia. Nos desvelarão o nível de elevação dos espíritos que nos influenciam nas tarefas que realizamos, na casa espírita ou na vida diária.

Emmanuel nos adverte: “Observa o próprio rumo para que não te surjam problemas de companhia.”. É uma advertência importante não só para os médiuns de tarefa, mas a todos nós, pois somos todos médiuns, em alguma medida. Podemos ser influenciados e até mesmo “guiados” por espíritos que se sintonizam com nossas escolhas.

Jesus nos ensinou: “Onde estiver o seu tesouro aí estará seu coração”.

Podemos escolher “as asas do bem ou as algemas do mal”.

Lucia Elena Rodrigues

Inteligência e Instinto

A parte final do capítulo IV de O Livro dos Espíritos, intitulado “Do Princípio Vital” (perguntas 71 a 75), volta-se ao estudo da inteligência e do instinto. Com o estudo do tema proposto, encerra-se, também, a Parte Primeira daquela obra, que foi estruturada para trazer os esclarecimentos dos Espíritos superiores acerca “Das Causas Primárias”.

Em nota à pergunta 71 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec define inteligência como “(…) uma faculdade especial, peculiar a algumas classes de seres orgânicos e que lhes dá, com o pensamento, a vontade de atuar, a consciência de que existem e de que constituem uma individualidade cada um, assim como os meios de estabelecerem relação com o mundo exterior” (FEB, 2007:96). Como Allan Kardec anota em A Gênese, “a inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias” (FEB, 2009:66).

A inteligência, que é um atributo do espírito, permite que o ser tenha consciência de si, de sua existência e individualidade; que faça cultura, compreenda símbolos, atribua-lhes significados e desenvolva linguagem; que tenha memória, racionalidade e dimensão temporal (passado, presente e futuro); que possa exercer o livre arbítrio e fazer escolhas. A inteligência acompanha o processo evolutivo, ampliando-se proporcionalmente aos aprendizados adquiridos pelo indivíduo.

Por outro lado, o instinto é definido por Allan Kardec, em A Gênese, como “(…) a força oculta que impele os seres orgânicos a atos espontâneos e involuntários, tendo em vista a sua conservação” (FEB: 2009:65). O instinto é marcado por automatismo, irreflexão, sendo fruto de impulsos que independem da vontade e que se destinam à conservação do indivíduo e da espécie. Assim, diferente da inteligência, o instinto surge espontaneamente no indivíduo, não se ampliando em processo de aprendizagem.

As definições de inteligência e de instinto poderiam nos levar a crer que entre eles não há correlação, ou, então, que a primeira decorreria de um aprimoramento da segunda. Se tal fosse a verdade, a conclusão que teríamos é que paulatinamente o instinto cederia lugar para a inteligência. Isso, contudo, não é real, pois, mesmo que o indivíduo tenha ampliada a sua inteligência, não se verá despido dos instintos, o que demonstra que ambas coexistem e que têm funções e importâncias próprias para a vida como um todo.

Isso, aliás, é que nos ensinam os Espíritos da codificação, ao nos esclarecer que: (i) o instinto não independe da inteligência, pois “(…) o instinto é uma espécie de inteligência. É uma inteligência sem raciocínio. Por ele é que todos os seres proveem às suas necessidades” (pergunta 73, LE); (ii) não é possível estabelecer linha de separação entre instinto e inteligência, fixando o ponto onde um acaba e a outra inicia, já que eles “(…) muitas vezes se confundem”, muito embora seja possível “(…) distinguir os atos que decorrem do instinto dos que são da inteligência” (pergunta 74, LE), para o quê contribuirão as definições acima apresentadas; e (iii) não é acertado dizer que as faculdades instintivas diminuem à medida que crescem as intelectuais, porquanto “o instinto existe sempre, mas o homem o despreza” (pergunta 75, LE).

A bem da verdade, como ensinam os Espíritos da codificação na pergunta 75 de O Livro dos Espíritos, o instinto, para além do seu papel de conservação e de preservação, pode nos conduzir ao bem, pois “ele quase sempre nos guia e algumas vezes com mais segurança do que a razão. Nunca se transvia”. O mesmo não se dá com a razão, já que ela não é infalível, e isso porque é “(…) falseada pelo orgulho e pelo egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite a escolha e dá ao homem o livre-arbítrio”, e é nesse momento que, movidos pela ganância, pelo ódio, pela inveja, pelo orgulho e egoísmo, acabamos optando pelo caminho mais tortuoso e que nos distancia das leis divinas.

Vale esclarecer que a inteligência não é um atributo do princípio vital, pois, como ensinam os Espíritos superiores na pergunta 71 de O Livro dos Espíritos, as plantas, por exemplo, têm vida orgânica, mas não possuem inteligência. Ou seja: a vida não depende da inteligência, muito embora esta, para se manifestar, dependa de órgãos materiais dotados de vitalidade. É necessário, pois, que o espírito se una à matéria animalizada para intelectualizá-la. E tal explicação permitiu a Allan Kardec criar uma classificação na nota que elaborou na resposta à citada pergunta 71 para elucidar o ensinamento passado, estabelecendo a seguinte distinção entre os seres da criação: (i) seres inanimados constituídos só de matéria, sem vitalidade nem inteligência, que são os corpos brutos; (ii) seres animados, formados de matéria e vitalidade, porém que não pensam; (iii) seres animados pensantes, formados de matéria, com vitalidade e tendo um princípio inteligente que lhes permite pensar.

A fonte da inteligência é a inteligência universal, sendo “(…) uma faculdade própria de cada ser e constitui a sua individualidade moral” (pergunta 72, LE). O modo, contudo, como o ser se apropria dessa inteligência e como esse processo se dá são ainda desconhecidos por nós, já que ainda não temos condições de apreender toda a mecânica da criação, haja vista o nosso nível evolutivo.

Enfim, apesar de todas as questões conceituais apresentadas, fato é que instinto e inteligência são artifícios com os quais a sabedoria divina nos habilitou para proteção, conservação, aprendizagem e evolução. Cabe-nos, então, honrar tamanha misericórdia, e dar-lhes a devida destinação para bem contribuir na seara do Pai.

 Frederico Barbosa Gomes

Sua decisão

Em momentos decisivos de nossa caminhada reencarnatória, nos deparamos com situações que exigem nossa reflexão e, por consequência, atitude em relação a como vamos seguir na direção do bem. Essa decisão é pessoal, intransferível e certamente nos orientará a marcha com vistas ao futuro, tal qual o encontro de Jesus com Emmanuel, no qual o Mestre indica para o Mentor o caminho a seguir: “Soa para teu espírito, neste momento, um minuto glorioso, se conseguires utilizar tua liberdade para que seja ele, em teu coração, doravante um cântico de amor, de humildade e de fé, na hora indeterminável da redenção, dentro da eternidade. Está, porém, no teu querer o aproveitá- -lo agora, ou daqui a alguns milênios…” (Xavier, Francisco/Emmanuel. Há dois mil anos. FEB, pag.68). É certo que alguns irmãos de caminhada repudiam aqueles que aderem de última hora, desdenhando do ato sincero do devedor perante o arrependimento. Mas Jesus nos esclarece que o Evangelho veio para os doentes; não veio para chamar os justos, mas os pecadores. Confessar-se em nome de Jesus e por amor a Ele não nos garante a elevação espiritual. A porta é estreita, portanto não basta apenas entrar, pois cada dia necessita do nosso esforço contínuo e perseverante em fazer- -se melhor, onde quer que nos encontremos, ainda mais nesses momentos tormentosos em que passa a humanidade no combate à pandemia da Covid-19. Nós espíritas somos chamados para brilhar a nossa luz, levando o conforto necessário àquele que sofre, que está em desespero, que tem medo da morte pela doença. E não nos é pedido grandes feitos, mas sim obediência e disciplina diante das normas e procedimentos amplamente divulgados pelas autoridades sanitárias. Se não concorda com tais procedimentos e normas, adote-os por amor ao próximo, respeitando e acatando com disciplina o que se pede da sociedade no combate ao vírus. Mostrar indisciplina é fomentar o caos e o desespero, esquecendo que acima de toda atitude humana está o Criador, Deus, assegurando o bem-estar dos seus filhos muito amados. Deus não ama por condição, sua misericórdia é ação em favor de nós mesmos como Pai zeloso que é. Dá de ti mesmo em favor dos que sofrem, com atitudes gentis, amorosas, cheias de esperança. Utiliza das redes sociais para fomentar o bem, a ordem, e possibilitar aos outros a visão de quanto somos cuidados, em qualquer situação. Os bons espíritos nos afirmam que só existe desordem para o desordeiro. Não sejamos os portadores de escândalo, pois todo escândalo impõe resgates, por vezes dolorosos, na senda humana. Sejamos os pacificadores, cujo dom de restabelecer a paz reflete o Mestre Nazareno. Como muitos dizem, a hora é grave, exige de nós decisão em favor do bem. E, relembrando o livro Nosso Lar, Clarêncio nos afirma que “os que não cooperam, não recebem cooperação. Isso é da lei eterna.” (Cap. 13, pág. 78).

João Jacques F. Gonçalves

Foto de capa: freepik

Agradeça e fuja do suicídio

Amanheceu e o trânsito de entidades espirituais continuou intenso na humilde moradia de dona Isabel. Aniceto conversou em particular com amigos do plano invisível sobre a incumbência recebida de Telésforo, cujo principal objetivo era o combate ativo a uma grande cooperativa de desencarnados direcionados para a maldade. Engana-se facilmente quem pensa que não há organização e método entre aqueles que se comprazem a disseminar o mal.

Enquanto isso, André e Vicente constataram, pela quantidade de trabalhadores espirituais que pernoitaram no ambiente, a importância de núcleos de serviço como aquele. Foi então que uma senhora se aproximou e exclamou: “Que o Senhor recompense a nossa irmã Isabel, concedendo-lhe forças para resistir às tentações do caminho. Por haver descansado neste pouso de amor, pude encontrar minha pobre filha, desviando-a do suicídio cruel. Graças à Providência Divina!” [1].

A exclamação dessa irmã nos chama a atenção para dois pontos. Primeiro: a importância de sermos sempre agradecidos a todos e por tudo. Sabedores que Deus é nosso Pai e que a Providência Divina é a Sua vontade manifestada sempre em benefício de Seus filhos, é a Ele que devemos reverenciar e agradecer continuamente por tudo que nos é proporcionado e por todas as pessoas que compartilham a existência conosco. Nossa gratidão deve se estender também aos inúmeros amigos desencarnados que nos auxiliam em vários momentos da vida. Nem sempre percebemos essa ajuda sutil e imprescindível, pois muitas vezes esses benfeitores atuam de forma anônima e sem alarde. Por outro lado, lembremos a necessidade de sermos úteis a todos que precisarem. Temos que fazer o bem, servir à luz e deixar permanentemente em nossos passos o doce perfume da paz. Façamos uma ponderação: neste momento, quantas pessoas teriam algum motivo para nos agradecer por algo que lhes fizemos? Não que devemos buscar reconhecimento, mas a ideia é refletir sobre o bem que temos feito ou deixado de fazer, pois não fazer o bem é fazer o mal[2] .

O segundo ponto é com relação ao suicídio. Deus nos dá a vida e somente Ele tem o direito de tirá-la. De acordo com a Codificação Espírita[3], o suicídio é uma grave transgressão da lei divina, com consequências dolorosas para quem o pratica.

No caso em questão, a senhora explicou que desencarnou há onze meses, deixando na Terra sua filha Dalva que, por sua vez, ficou viúva há três anos. Infelizmente ela não resistiu ao sofrimento tanto quanto deveria e deixou-se empolgar por espírito maléficos que arquitetavam sua derrocada. A pobre mãe se aproximava dela durante o dia, a fim de lhe influenciar para o bem, mas era em vão, pois a filha mantinha a mente enterrada em problemas e negócios materiais. Por isso aquela senhora precisava se encontrar com a filha durante a noite, enquanto seu corpo físico dormia, mas a sofrida mãe não possuía elevação espiritual suficiente para trabalhar sozinha e o grupo no qual atuava não poderia pernoitar na Crosta por sua causa. Foi então que uma amiga a levou ao posto de serviço de “Nosso Lar”, que era a casa de dona Isabel. Lá ela descansou e contou com a inestimável ajuda dos tarefeiros da luz para aconselhar sua filha sobre a necessidade de fugir do suicídio e suportar com fé, resignação e perseverança todos os percalços da existência, sabendo que há um Pai amoroso que vela por todos.

Demonstrando a importância do Espiritismo como antídoto na prevenção ao suicídio, Allan Kardec ensinou que “a calma e a resignação hauridas da maneira de considerar a vida terrestre e da confiança no futuro dão ao espírito uma serenidade que é o melhor preservativo contra a loucura e o suicídio.”[4]. Já Emmanuel esclareceu que “de todos os desvios da vida humana o suicídio é, talvez, o maior deles pela sua característica de falso heroísmo, de negação absoluta da lei do amor e de suprema rebeldia à vontade de Deus, cuja justiça nunca se fez sentir, junto dos homens sem a luz da misericórdia.”[5].

Ao final da conversa com a senhora, André Luiz nos apresentou mais um motivo para agradecermos ao nosso Pai Celestial. Ele lhe perguntou se havia mais postos de serviço de “Nosso Lar” além daquele na residência singela de dona Isabel e obteve a seguinte resposta: “Ao que me informaram, há regular número deles, não somente aqui, mas também noutras cidades do país, além de numerosas oficinas que representam outras colônias espirituais, entre as criaturas corporificadas na Terra. Nesses núcleos, há sempre possibilidades avançadas, imprescindíveis ao nosso abastecimento para a luta.”[1]. Graças a Deus!!!

Valdir Pedrosa

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 39 (Trabalho incessante).

[2] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 3ª parte (Das leis morais) – capítulo 1 (Da lei divina ou natural) – questão 642.

[3] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 4ª parte (Das esperanças e consolações) – capítulo 1 (Das penas e gozos terrestres) – questões 943 a 957.

[4] O Evangelho Segundo o Espiritismo – capítulo 5 (Bem- -aventurados os aflitos) – item 14 (O suicídio e a loucura).

[5] O Consolador – Pelo Espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier – 2ª parte (Filosofia) – item “Transição” – questão 154.

 

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Ajuda-te e o céu te ajudará

À medida que avançamos no conhecimento do Evangelho de Jesus, com o auxílio das chaves que a Doutrina Espírita nos oferece, amplia-se nossa capacidade de visão diante das circunstâncias da existência e, por consequência, altera-se nossa capacidade de compreensão das vicissitudes que a vida nos oferece.

Ao reencarnarmos, pedimos no plano espiritual as provas necessárias ao nosso aprimoramento espiritual. O Livro dos Espíritos, na questão 132, diz-nos: “Visa ainda outro fim a encarnação: o de pôr o Espírito em condições de suportar a parte que lhe toca na obra da criação.”. Ou seja, reconhecendo-nos como filhos de Deus, estamos todos reencarnados para auxiliar o Pai na obra da criação e não necessariamente para atender nossos interesses particulares. E o Espírito de Verdade continua na mesma questão: “Para executá-la é que, em cada mundo, toma o Espírito um instrumento, de harmonia com a matéria essencial desse mundo, a fim de aí cumprir, daquele ponto de vista, as ordens de Deus. É assim que, concorrendo para a obra geral, ele próprio se adianta.”.

No imperativo “ajuda-te”, reconhecemos a necessidade primeira de acionarmos a vontade na busca dos valores íntimos que irão promover nossa libertação espiritual. Quando o Cristo define: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra” (João 4:34), percebemos que a nossa vontade deve ser direcionada para ajustar-se à vontade de Deus, que sabe o que é melhor para cada um de nós.

Não existe aquisição de felicidade, de paz, de plenitude e até de saúde orgânica sem o esforço próprio. Em todas os processos de cura, Jesus perguntava: “Que queres que te faça?” (Lucas 18:41). Emmanuel, através de Chico Xavier, diz-nos: “Que gênio milagroso te doará o equilíbrio orgânico, se não sabes calar, nem desculpar, se não ajudas, nem compreendes, se não te humilhas para os desígnios superiores, nem procuras harmonia com os homens?”.

“Ajuda-te que o céu te ajudará” não significa uma “troca” que realizamos com o Criador a fim de sermos amados por Ele. Nada do que fazemos ou deixamos de fazer poderá alterar o amor de Deus para conosco. Em suma, somente no sacrifício do nosso egoísmo é que descobriremos o reino de Deus que está dentro de nós mesmos, pois Este Reino, que representa o coroamento de nossa evolução espiritual, não vem com aparência exterior.

Eurípedes Mariano Cunha

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