A Evolução não é obra do acaso

A teoria da evolução do universo e dos seres no Espiritismo está bastante conectada àquela que a ciência afirma. Na Codificação, Allan Kardec procura demonstrar, sem nenhuma ideia sobrenatural ou fantasiosa, à luz da ciência de sua época, o que há por traz deste complexo processo evolutivo biológico e espiritual: uma inteligência.

Para o Espiritismo, de forma simplificada, temos: Deus criou o universo. Dentro desse universo há vários mundos. Estes mundos são criados gradativamente, juntamente com seus habitantes. Muitos planetas foram criados antes da Terra. Assim como outros ainda são e serão criados.

Segundo o mentor espiritual Emmanuel, o nosso mestre e irmão maior Jesus e sua equipe de espíritos atuaram e coordenaram toda a evolução da Terra. Atuaram sob as Leis Divinas e com os recursos criados por Deus. A questão 45 de O Livro dos Espíritos afirma que os princípios inteligente e material já se achavam […] “em estado fluido no espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, esperando a criação da Terra para começarem existência nova em novo globo”.

No início, o princípio inteligente ou espiritual foi “semeado” pelos Espíritos Crísticos no momento da formação deste planeta. Este princípio inteligente, então, se uniu ao princípio material, posteriormente desenvolvido para organização da matéria que constituiria a natureza da Terra e a formação dos corpos dos seres vivos. Juntos, estes dois princípios se desenvolveram na Terra até que, com o passar de milênios, o principio inteligente chegou ao estágio de humanização constituindo os chamados espíritos.

 A revelação acima nos remete a hipótese, em estudo por parte da comunidade cientifica, de que a vida foi trazida à Terra do espaço, talvez em cometas, meteoritos. Ela é conhecida como panspermia cósmica e, na atualidade, torna-se mais próxima da realidade devido ao desenvolvimento do estudo de planetas extrassolares e da engenharia genética microbiana. Não há consenso, mas já existem algumas evidências avançadas de que microrganismos mais resistentes teriam conseguido sobreviver à hostilidade do espaço e chegado até a Terra. A ciência progride, aprimora seus métodos de investigação e, como afirmou Kardec, também o Espiritismo é passível de atualizações: “se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”.

O que nos foi trazido pela Espiritualidade é que o princípio espiritual é criado constantemente por Deus, sem complexidade, e deverá estagiar milhões de anos nos reinos inferiores da criação (mineral, vegetal e animal), para estar preparado para funções mais complexas, conquistando a individualidade, habilitando-se para o despertar da inteligência e do senso moral. A evolução dos seres vivos, inclusive dos humanos, ocorre nos dois planos da vida, o físico e o espiritual.

Emmanuel segue nos esclarecendo no livro A Caminho da Luz que na Terra todo esse processo admirável não foi obra do acaso, resultado de forças cegas, inconsequentes, e sim a consequência de um trabalho bem elaborado dos Espíritos superiores, responsáveis pelo destino de nosso planeta.

Ao tratar deste processo evolutivo, os espíritos superiores não se detiveram em maiores detalhamentos, por exemplo, de como Deus cria o princípio espiritual e de como o reino mineral se aproxima desse período inicial da criação. Esta postura dos mentores se justifica porque nós ainda não temos conhecimentos e condições para melhor entendimento desta matéria.

Sobre esta questão, talvez, segundo Gabriel Delanne, no reino mineral o princípio espiritual se submeta a lei de atração e repulsão, gerando aglutinação e solidez, rumo a complexidade evolutiva. Certo é que, com o avanço da ciência, que se dá em um ritmo acelerado, futuramente poderemos ter mais orientações sobre a evolução do princípio espiritual no reino mineral e nos demais reinos.

 Emmanuel, na obra O Consolador, questão 79, diz que “a escala do progresso é sublime e infinita. No quadro exíguo dos vossos conhecimentos, busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de amor que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e invisível. O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade”.

Conclui André Luiz no livro No mundo Maior: “não somos criações milagrosas, destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores, de experiência em experiência, de milênio a milênio. […] Ao entrar no reino hominal, o princípio inteligente – agora sim, Espírito – está apto a dirigir a sua vida, a conquistar os seus valores pelo esforço próprio, a iniciar uma evolução de orientação centrífuga (de dentro para fora)”.

A Codificação de Kardec e as afirmativas dos espíritos mentores, Emmanuel e André Luiz, nos estimulam a refletir sobre a perfeição Divina e a importância de valorizarmos as oportunidades de cada encarnação, nos empenhando para seguir evoluindo e conquistando os valores superiores da alma: “a responsabilidade, a sensibilidade, a sublimação das emoções, enfim, todos os condicionamentos que permitirão ao Espírito alçar-se à comunidade dos Seres Angélicos”.

Leticia Schettino Peixoto

Bibliografia: Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, capítulo XI, da 2ª parte.

 Kardec, Allan. A Gênese, capítulo XI.

Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel.

Xavier, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Questão 79.

Xavier, Francisco Cândido; Waldo, Vieira. Evolução em dois mundos, capítulo 3. Pelo espírito André Luiz. Gabriel Delanne, Evolução Anímica, Cap. II.

A bênção do lar

“Esperemos que esses celeiros de sentimentos se multipliquem – disse Aniceto, sensibilizado. O mundo pode fabricar novas indústrias, novos arranha-céus, erguer estátuas e cidades, mas, sem a bênção do lar, nunca haverá felicidade verdadeira.” [1]

 Ao término do estudo do Evangelho na casa de dona Isabel, Aniceto destacou a importância do lar em nossas vidas, colocando-o como um dos principais fatores para a aquisição da felicidade eterna. Vamos tentar entender um pouco melhor esse assunto iniciando com um ensinamento fantástico ministrado pelo instrutor espiritual Alexandre: “o lar não é somente a moradia dos corpos, mas, acima de tudo, a residência das almas.”[2] Para o homem comum, a residência não passa, de fato, de um local onde moram corpos físicos. Entretanto, para o homem mais espiritualizado, o lar possui aspectos muito mais amplos e complexos, pois é nele que, inicialmente, almas se encontram ou reencontram para darem continuidade a suas longas e árduas jornadas evolutivas.

Todos reencarnamos trazendo uma imensa bagagem adquirida em vidas passadas, na qual consta não apenas os valores conquistados à custa de muito esforço e perseverança, mas, mormente, trazemos vícios, mazelas, defeitos e uma infinidade de dificuldades que precisamos sanar nesta encarnação. O lar e a família são elementos imprescindíveis para se alcançar tal desiderato, tendo em vista que é nesse ambiente, junto aos pais, que o espírito reencarnado na tenra fase infantil recebe as primeiras lições, as quais devem se basear não apenas em palavras, mas sobretudo, em exemplos. Jesus ensinou que “o lar é a escola das almas, o templo onde a sabedoria divina nos habilita, pouco a pouco, ao grande entendimento da humanidade’.[3]

Aprendemos com o Espiritismo que a formação da família começa no plano espiritual, mediante estudos e análises das necessidades de todos os membros que irão compor aquele agrupamento. Desta forma é possível reunir-se no mesmo lar devedores em resgate de antigos compromissos, desafetos companheiros de erros passados, afeições queridas e amigos em trabalho de socorro mútuo. Embora possuindo histórias e aspirações distintas, todos têm um único objetivo: vivenciar o amor. Instrui Allan Kardec: “Deus permite que, nas famílias, ocorram essas reencarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso. Assim, os maus se melhoram pouco a pouco, ao contato dos bons e por efeito dos cuidados que se lhes dispensam. O caráter deles se abranda, seus costumes se apuram, as antipatias se esvaem”.[4] Face ao exposto, podemos dizer que normalmente o lar, em sua feição educadora, nos permite o contato com lutas, dores, desavenças, menosprezo, ingratidão, alegria, amizade, amor e mais uma gama de experiências, todas preciosas para o nosso crescimento espiritual. No final das contas é o comportamento de cada pessoa que irá determinar se o ambiente no lar será celestial ou infernal.

No livro O Consolador, Emmanuel foi perguntado sobre onde estaria a base mais elevada para os métodos da educação e sobre qual seria a melhor escola de preparação das almas reencarnadas na Terra. Destacando a importância da família e do lar, o benfeitor pontificou que “as noções religiosas, com a exemplificação dos mais altos deveres da vida, constituem a base de toda a educação, no sagrado instituto da família”. Em seguida completou: “a melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do caráter. Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem. Na sua grandiosa tarefa de cristianização, essa é a profunda finalidade do Espiritismo evangélico, no sentido de iluminar a consciência da criatura, a fim de que o lar se refaça e novo ciclo de progresso espiritual se traduza, entre os homens, em lares cristãos, para a nova era da humanidade.”[5]

Para que saibamos aproveitar bem a bênção que o é o lar, o querido amigo espiritual André Luiz nos deu algumas dicas no livro Conduta Espírita, dentre as quais destacamos: “começar na intimidade do templo doméstico a exemplificação dos princípios que esposa, com sinceridade e firmeza, uniformizando o próprio procedimento, dentro e fora dele.” [6]

Em carta a Timóteo, o Apóstolo Paulo ressaltou a gratidão que devemos ter por aqueles que nos recebem como filhos e que nos proporcionam a bênção do lar: “aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família e a recompensar seus pais, porque isto é bom e agradável diante de Deus. (…) Mas se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel”. [7]

E para terminar, reproduzimos uma frase curta e simples, porém de enorme relevância, proferida por uma simpática senhora que assistiu ao estudo do Evangelho na casa de dona Isabel ao lado de André Luiz: “bem-aventurados os que cultivam a paz doméstica”. [1]

Valdir Pedrosa

 [1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 37 (No santuário doméstico).

[2] Missionários da Luz – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 6 (A oração).

[3] Jesus no Lar – Pelo Espírito Neio Lúcio, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 2 (A escola das almas).

[4] O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – capítulo 4 (Ninguém poderá ver o Reino de Deus se não nascer de novo) – item 19.

[5] O Consolador – Pelo Espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier – questões 108 e 110.

[6] Conduta Espírita – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Waldo Vieira – capítulo 5 (No lar).

 [7] I Epístola de Paulo a Timóteo – capítulo 5 – versículos 4 e 8.

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Praticar o desapego é um ato de libertação

Joanna de Ângelis, mentora de Divaldo Franco, trouxe uma elucidativa mensagem no dia 15 de janeiro de 2004, enquanto Divaldo estava em Miami, Flórida, Estados Unidos. A mensagem chama-se Apego e Libertação1 . Joanna nos diz: “beleza ou feiúra, saúde ou enfermidade, inteligência ou idiotia, são decorrências naturais das conquistas e prejuízos conseguidos nas experiências anteriores, ensejando reparação ou aprimoramento interior, a fim de que a vida estue em plenitude”. Segundo Joanna, “nosso corpo físico é uma máquina sublime que a divindade empresta ao espírito e este se organiza conforme as necessidades de evolução, portanto é um empréstimo a fim de que o ser aproveite a oportunidade da reencarnação e desenvolva e aprimore a moral”. Tudo aqui neste mundo é transitório em suas expressões materiais. Portanto, como nos diz a mentora, “perseguir as ilusões da posse, do destaque político ou social, religioso ou artístico, científico ou cultural, estético ou afetivo, desembocam em verdadeiros desastres interiores, que se apresentam como depressões, agressividade, violência, lutas contínuas, homicídios e suicídios lamentáveis”. Se essas ambições fossem usadas enquanto recursos à disposição de se alcançar metas verdadeiras em prol de promover o bem maior, valeria o esforço envidado. Nos diz Joanna: “acautela-te a respeito de qualquer tipo de apego”. É fundamental nos despojarmos de toda uma carga de crenças e falsas ilusões, as quais acabamos nos apegando, e elas pesam muito, tal como um verdadeiro fardo, nos impossibilitando de ver a realidade como ela realmente é e de perseguir objetivos reais que conduzam concretamente a nossa evolução individual, que, por conseguinte, impacta o coletivo. A mentora enfatiza: “com esta atitude emocional superarás questiúnculas e desafios infantis, caprichos e sentimentos de mágoas, de inferioridade ou de superioridade, aos quais te aprisionas por orgulho ou presunção, descobrindo a felicidade de viver com equilíbrio”. Joanna ao final desta preciosa elucidação sobre o desapego, conclui nos lembrando da importância de não acumularmos bens materiais que não nos fazem falta, que ocupam espaços, permanecem cobertos de poeira e esquecidos pelo tempo. Ela fala inclusive de medicamentos não utilizados, com data de validade em dia, que poderiam ser utilizados por quem precisa, mas que para nós não tem serventia e acabarão sendo descartados devido ao prazo de validade. Conclui a mentora: “a existência somente tem sentido profundo quando o indivíduo descobre a arte de auxiliar, tornando-se célula pulsante e valiosa do conjunto social. […] Desse modo, perceberás melhor que os teus são problemas de pequena monta diante dos inabordáveis desafios que se apresentam para outras pessoas, algumas das quais lutam sem descanso, confiando e mantendo alto padrão de harmonia interior. Outras, no entanto, que não têm a mesma resistência moral, sob tais conjunturas, derrapam no crime e na loucura.[…] Com visão fraternal desenvolvida constatarás que alguns dos órgãos que hoje constituem apoio para o teu crescimento espiritual, depois de utilizados e em perfeito estado, quando não mais necessitando deles, poderás doá-los desde já a outros companheiros de jornada que os carecem, a fim de ensejarem continuidade ao processo iluminativo da reencarnação, que te bendirão mesmo ignorando o teu gesto”.

 Denise Castelo Nogueira

 1 FRANCO, Divaldo Pereira pelo Espírito Joanna de Ângelis . Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, no dia 15 de janeiro de 2004, em Miami.

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Glacus, o mensageiro da bondade

O momento atual, caracterizado pela angústia da incerteza do amanhã, tende a nos aproximar de tudo o que há de espiritual. A humanidade está sendo convidada a ampliar o entendimento sobre a vida e a morte, a saúde e a doença, a aflição e a paz, o individual e o coletivo, o egoísmo e o altruísmo. Uma bela oportunidade, sem dúvida. Você já pensou que, apesar de necessária, essa busca espiritual não é tarefa fácil para muitas almas estagiando na Terra? E que o exercício das virtudes cristãs é tarefa ainda mais laboriosa, especialmente para aqueles que vêm conduzindo a sua vida à margem da realidade do espírito? Portanto, são felizes os convidados para compor a família do Irmão Glacus.

A primeira encarnação de Glacus Flaminius que temos notícia ocorreu no ano de 45 da Era Cristã, quando nasceu na região de Corinto, na Grécia nas cercanias de Peloponeso. Mais tarde, no ano 70 da Era Cristã, aos 25 anos de idade, já formado em ciências médicas na Grécia, foi levado pelas autoridades romanas para Roma. Viveu ainda outras valiosas experiências no campo da medicina, sempre chamando a atenção para o modo sensível por meio do qual ele exercia a profissão. Mais recentemente, no início do século XX, em reunião de espíritos de alto escalão presidida pela Irmã Veneranda, definiu-se que uma nova casa espírita deveria iniciar suas atividades, e que caberia ao Irmão Glacus essa nova missão pela grandeza de trabalho e por ser um espírito agregador. Você se lembra das antigas árvores genealógicas de família? Aquelas que, em virtude do seu nascimento, você aparecia nas últimas folhas, nos últimos galhos? Pois então, como trabalhador da última hora, você faz parte da família do Irmão Glacus, cujas raízes estão na gênese do cristianismo e cuja seiva é o amor incondicional. E o que significa isso?

Antes de tudo, é preciso recordar o princípio de nossa Casa – “O compromisso da Fraternidade é com o ser humano”. Recentemente vi uma postagem muito sensível por meio da qual um filhote de gato bem carismático dizia: “Não adianta ir à igreja rezar e envenenar os gatinhos”. De forma semelhante, não adianta frequentar uma casa cristã e não desenvolver paciência, tolerância, renúncia, desapego e caridade dentro e fora dela, especialmente em família. É de nosso Irmão Glacus essa frase: “Gradativamente, compreenderemos que fraternidade espírita é fruto da nossa transformação e só a construiremos se cooperarmos uns com os outros”.

 É verdade que alguns se sentem inaptos para conduzir essa transformação. Não se sabe se é por vaidade ou por orgulho, deixam-se levar por um sentimento de autopiedade quando o assunto é o desenvolvimento espiritual. Tomados de ansiedade, que é uma é uma doença pandêmica nos dias atuais, imaginam que deveriam se santificar imediatamente, da água para o vinho. Esquecem que a água possui o seu sublime valor e, a prova disso é que a maior parte do vinho é água. Glacus nos esclarece afirmando que “Os benfeitores espirituais nunca nos pediram certidão de perfeição, atestados de virtudes, certificados de capacitação. Eles pedem somente que nos esforcemos, sempre mais um pouco”.

Cada um de nós encontra-se num estágio evolutivo e devemos ter consciência de que estágio é este. O estudo e a vivência do evangelho são condições para se alcançar essa autocompreensão. Ninguém deve não fazer nada porque apenas pode fazer um pouco. Sempre mais um pouco, como assevera o meigo mentor. Esta é a lei! Engana-se quem baliza o seu grau de elevação espiritual tendo o outro como referência. Somos seres singulares. E por pertencer à maravilhosa família do Irmão Glacus, não precisamos ter vergonha do nosso estado espiritual. Não são assim também as famílias humanas? Todos estão no mesmo nível intelectual, moral e espiritual na intimidade do lar? Não. Nunca estão. Então por que vivem juntos? A resposta está no Hino ao Glacus: “Confiados seguiremos, à luz da fraternidade, o roteiro da esperança, praticando a caridade.”

Assim, como uma boa família, convivamos celebrando a oportunidade de elevação espiritual, sem desconsiderar os desafios de cada dia. Nosso querido mentor nos indica o que devemos fazer: “e, convertendo-se ao Pai Maior, Deus de amor, ele viu em Jesus a oportunidade da revolução amorosa. Vá e faça o mesmo!”.

Vinícius Moura

A distinção entre seres orgânicos e inorgânicos e a importância do princípio vital

Encerrando a parte primeira de O Livro do Espíritos, temos o capítulo IV, intitulado “Princípio Vital”, o qual foi didaticamente apresentado depois daqueles outros destinados ao estudo de Deus, dos elementos gerais do universo e da criação. Neste último capítulo, as atenções se voltarão para compreender os conceitos e as diferenças, sob a ótica espiritista, entre seres orgânicos e inorgânicos, vida e morte, inteligência e instinto.

De início, destaca-se a didática da exposição do tema, pois se parte de uma distinção maior, isto é, entre seres inorgânicos e orgânicos, para, então, centrar-se em temas relacionados aos seres orgânicos, que são vida e morte, inteligência e instinto.

Seguindo este roteiro, conforme nos ensinam os espíritos superiores nas respostas às perguntas 60 a 62 de O Livro dos Espíritos, vemos que a diferença entre os seres orgânicos e inorgânicos não está na matéria em si que os constituem e nem na força que une os elementos materiais que integram os seus corpos, mas no fato de que a matéria que constitui os seres orgânicos é animalizada, isto é, unida ao princípio vital.

Portanto, o princípio vital desempenha papel fundamental na caracterização de um ser orgânico. Como ensina Kardec na Introdução de O Livro dos Espíritos, o princípio vital é “[…] o princípio da vida material e orgânica, qualquer que seja a fonte donde promane, princípio esse comum a todos os seres vivos, desde as plantas até os homens”. Portanto, pouco importa se estamos diante de um ser orgânico inteligente ou não: tendo ele vitalidade, a matéria que o constitui estará animalizada e, pois, ligada ao princípio vital. Assim, “[…] há um fato que ninguém ousaria contestar, pois resulta da observação: que os seres orgânicos têm em si uma força íntima que determina o fenômeno da vida, enquanto essa força existe; que a vida material é comum a todos os seres orgânicos e independe da inteligência e do pensamento; que a inteligência e o pensamento são faculdades próprias de certas espécies orgânicas; finalmente, que entre as espécies há uma dotada também de um senso moral especial, que lhe dá incontestável superioridade sobre as outras: a espécie humana” (Livro dos Espíritos, FEB, 2007:18).

Dada a relevância da compreensão do princípio vital para a caracterização dos seres orgânicos, Allan Kardec aprofunda no estudo do tema e, na pergunta 63, questiona os espíritos da codificação se tal princípio residiria nalgum agente particular ou se seria propriedade da matéria organizada, isto é, se poderia ser considerado como causa ou consequência da vida orgânica. Em resposta, esclarecem os espíritos que o princípio vital seria ambas as coisas, pois a vida é efeito de tal agente sobre a matéria e ele dá vida aos seres que o absorvem e assimilam. Portanto, da mesma maneira que a matéria não pode viver sem a ação de tal princípio, este, sem a matéria, não é vida, por isso é considerado causa e efeito da vida do ser orgânico.

Nesse contexto, como ensinam os espíritos superiores na resposta à pergunta 67 da mesma obra, a vitalidade não é atributo permanente do agente vital, já que se desenvolve com o corpo. Assim, isoladamente, o princípio vital não é vida, sendo, portanto, necessária a sua união com a matéria e é por isso que a vitalidade estará em estado latente enquanto o princípio vital não estiver unido ao corpo.

Apesar da importância do princípio vital na constituição do universo, não é ele um dos seus elementos primitivos, ao lado do espírito e da matéria. É, como ensinam os espíritos na pergunta 64 de O Livro dos Espíritos, uma derivação da matéria universal modificada. E como se vê da resposta à pergunta 65, o princípio vital “[…] tem por fonte o fluido universal. É o que chamais fluido magnético, ou fluido elétrico animalizado. É o intermediário, o elo existente entre o Espírito e a matéria”.

Esclareça-se, por oportuno, que o princípio vital, a teor da resposta à pergunta 66 da obra de Kardec, é o mesmo para os seres orgânicos, porém modificado segundo as várias espécies existentes, sendo responsável por lhes conferir movimento e atividade. Nesse ponto, veja que o movimento da matéria em si não é a vida, mas consequência dela.

Ao ensejo de compreender melhor a discussão em torno do princípio vital, vale trazer uma explicação de Allan Kardec sobre o tema contida em A Gênese:

“Tomamos para termo de comparação o calor que se desenvolve pelo movimento de uma roda, por ser um efeito vulgar, que todo mundo conhece, e mais fácil de compreender- -se. Mais exato, no entanto, houvéramos sido, dizendo que, na combinação dos elementos para formarem os corpos orgânicos, desenvolve-se eletricidade. Os corpos orgânicos seriam, então, verdadeiras pilhas elétricas, que funcionam enquanto os elementos dessas pilhas se acham em condições de produzir eletricidade: é a vida; que deixam de funcionar, quando tais condições desaparecem; é a morte. Segundo essa maneira de ver, o princípio vital não seria mais do que uma espécie particular de eletricidade, denominada eletricidade animal, que durante a vida se desprende pela ação dos órgãos e cuja produção cessa, quando da morte, por se extinguir tal ação”. (A Gênese, FEB, 2008: 228).

Como se vê, a constatação da vida orgânica é, em si, muito complexa, pois, apesar de nos ter sido revelado que ela ocorre a partir da união da matéria ao princípio vital, o modo como efetivamente essa união se dá e como se constitui plenamente a essência de tal princípio são dados que fogem de nossa compreensão. Contudo, isso não nos impede de reconhecermos que o simples fato de existirmos e de vivermos já é algo que é fruto de uma complexidade tamanha que apenas um Ser que nos ama ao infinito seria capaz de fazer.

 Frederico Barbosa Gomes

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Superando insucessos

“Vá e não peques mais.” (João, 8:11) “Todos os sofrimentos: misérias, decepções, dores físicas, perda de seres amados, encontram consolação na fé no futuro, na confiança na Justiça de Deus, que o Cristo veio ensinar aos homens.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo)

 Em um planeta ainda nas fases iniciais da evolução psíquica de seus habitantes, é natural que encontremos, aos borbotões, companheiros de jornada que receberam a mediunidade como ferramenta de transformação de si mesmos, mas que falharam, total ou parcialmente, no uso desse instrumento. Nada mais compreensível, apesar de indesejável.

No livro Os Mensageiros, psicografia de Francisco Cândido Xavier, André Luiz nos relata histórias da falência de inúmeros médiuns. Ao discorrer sobre estas histórias, Tobias, obreiro do Ministério das Comunicações da colônia Nosso Lar, explica que “não preparamos, pois, neste Centro, simples postalistas, mas espíritos que se transformem em cartas vivas de Jesus para a Humanidade encarnada. Pelo menos, este é o programa de nossa administração espiritual”. Ele também nos informa duas preocupações da espiritualidade superior quanto à preparação dos futuros médiuns e dialogadores: encaminhar-nos ensinamentos e garantir que os mensageiros sejam cartas vivas dessa mensagem. Em síntese, a mensagem é importante e o mensageiro deve vivê-la.

Onde buscar, então, quando no plano físico, a solução para o duplo desafio de se transformar e, assim, ser um agente transformador? Onde o roteiro certo da jornada do homem de bem e do médium do bem serão as duas faces da mesma moeda? Onde encontrar o navegador seguro que previne insucessos?

Se ainda nos fazemos as perguntas acima, estamos muito atrasados, pois o divino roteiro já foi apresentado por Jesus há muito tempo. Mais do que isso, sabendo das nossas limitações frente a um ensinamento tão luminoso, que turva, ainda, a visão dos menos afeitos à prática do amor ao próximo, a providência divina nos trouxe, por acréscimo de misericórdia, a codificação espírita como chave que abre a porta que é o Evangelho de Jesus. Seguir em frente, abandonando os nossos velhos hábitos, como acima recomendado por Jesus no versículo de João; confiantes em um consolo futuro e em Deus, como codificado por Kardec, é o roteiro que necessitamos. Martins Peralva, no capítulo 11 do livro Mediunidade e Evolução, conclui conosco que “sejam quais sejam as causas dos insucessos mediúnicos ou do despertamento para o trabalho, Evangelho e Espiritismo serão, sempre, em quaisquer circunstâncias, o real apoio para quem acordou e deseja caminhar com o Bem Infinito”.

Espiritismo cristão é roteiro seguro!

Rômulo Novais

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O sagrado direito à vida

À semelhança dos dias situados entre o inverno e a primavera, durante os quais as duas estações se misturam, assistimos atualmente no planeta um período de transição entre o fechamento de um ciclo civilizatório humano de provas e expiações e o início de um novo tempo – a Terra regenerada do amanhã. O modelo civilizatório dominante no século XX, regido pelo egoísmo e pelo orgulho, não atende mais aos anseios de evolução espiritual do ser humano. Carcomido pelo tempo, esse modo de viver já morreu, mas ainda não foi sepultado. Ao mesmo tempo, um novo tecido social surge, fiado na roca do amor com o duplo fio da fraternidade e da caridade. Todavia, como não tem raízes consolidadas no solo da experiência humana, encontra-se ainda frágil para sobrepujar as forças atávicas do modelo anterior ainda vigente. Por isso mesmo, assistimos todos os dias ao desrespeito e à indiferença pela vida humana, que representam a agonia do velho padrão social estabelecido pela ignorância humana, que teima em resistir ao inevitável advento da Nova Era que se aproxima, na qual o bem prevalecerá sobre o mal.

Allan Kardec, o insigne codificador da Doutrina Espírita, já havia vaticinado em Obras Póstumas, no capítulo “Regeneração da humanidade”, sobre esses tempos difíceis mas necessários ao progresso espiritual do homem. Afirma-nos o mestre de Lyon que do embate entre o homem velho e o homem novo em Cristo resultaria um sem-número de flagelos sociais, dentre os quais a multiplicação dos suicídios, até mesmo entre crianças, e a disseminação da loucura, que atingiria um grande número de seres humanos. E não é isso que temos visto atualmente?

Neste contexto, a valorização da vida na Terra exigirá do homem nova conceituação do modo de viver, à luz das realidades do espírito. Em sua presciência Divina, Jesus, o excelso pedagogo das almas, legou-nos o Evangelho, bússola e roteiro seguro para os dias atuais. Sabedor do grande Enem Espiritual que a humanidade atravessaria, enviou-nos o Espiritismo, consolador prometido, para esclarecer aos homens o significado mais profundo da vida, a fim de que pudessem vencer as aflições do mundo, como Ele fez.

Mas afinal, o que é vida? A pergunta traz em seu bojo outras questões relevantes: Quem somos nós? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o sentido da vida? Allan Kardec, no capítulo II do Evangelho Segundo o Espiritismo, item 5, nos esclarece que “a ideia clara e precisa que se faça da vida futura proporciona inabalável fé no porvir, fé que acarreta enormes consequências sobre a moralização dos homens, por que muda completamente o ponto de vista sob o qual encaram eles a vida terrena”. Desconstruir o paradigma materialista de que nada existe antes e após a existência física e apresentar uma nova concepção de vida baseada nos pilares da imortalidade da alma, da lei de causa e efeito, da reencarnação e da vida futura é tarefa precípua da Doutrina Espírita na Terra. Afirma Kardec, ainda neste tópico, que a perspectiva espírita produz impactos profundos na transformação moral do homem, dilatando-lhe o pensamento e descortinando novos horizontes no seu modo de sentir: “em vez dessa visão, acanhada e mesquinha, que o concentra na vida atual, que faz do instante que vivemos na Terra único e frágil eixo do porvir eterno, ele, o Espiritismo, mostra que essa vida não passa de um elo no harmonioso e magnífico conjunto da obra do Criador; mostra a solidariedade que conjuga todas as existências de um mesmo ser, todos os seres de um mesmo mundo e os seres de todos os mundos. Faculta assim uma base e uma razão de ser à fraternidade universal, enquanto a doutrina da criação da alma por ocasião do nascimento de cada corpo torna estranhos uns aos outros todos os seres.”

Assim, somente a adoção do paradigma espiritualista em todas as áreas do conhecimento humano pode devolver ao homem o sentido de viver, substituindo a tristeza, o pessimismo e a depressão pela alegria de ser útil à felicidade do próximo. Por esse motivo o Celeste Benfeitor resumiu a Lei e os profetas em “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”. Somos espíritos imortais! Eterno, somente Deus, que é incriado, ou seja, existe desde sempre! Tivemos um início, mas jamais teremos um fim. Já habitamos a Terra em numerosas existências. Sempre usufruindo do direito sagrado à Vida, que herdamos do Criador. Os retornos sucessivos à dimensão material nos oferecem a oportunidade de desenvolver os potenciais da alma, em última instância, de evoluir.

Por isso mesmo, o Cristo nos afirma: “Vim para tenhais vida e vida em abundância” (João,10:10). O benfeitor Emmanuel, interpretando a afirmativa do Mestre Divino no livro Palavras de Vida Eterna, capítulo 104, explica: existimos. Existem todas as criaturas saídas do Hálito Criador. A pedra existe, a planta existe, o animal existe… Existem almas nos passos diversos da evolução. Em sentido espiritual, no entanto, viver é algo diferente de existir. A vida é a experiência digna da imortalidade. E nós? Estamos vivendo ou apenas existindo? Para viver segundo o Cristo é preciso alinharmo-nos com o “amai-vos uns aos outros” que Ele nos ensinou. Cada existência na Terra é expressão sagrada da vida imortal que nos foi concedida pela bondade do Pai, mas o que dela fazemos é obra nossa e revela o aproveitamento ou não da abundância que ela, a vida, traz em si mesma.

Emmanuel Chácara

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Fardo Leve e Jugo Suave

A encarnação do Cristo propiciou à Terra o maior evento que o planeta já viu desde a sua formação. Foi um período em que o sentimento de esperança e otimismo tomou os seres, despertando uma sensação de que tudo mudaria e seria melhor. Esses eram os efeitos do psiquismo do Cristo envolvendo mais diretamente o mundo, porque Ele traria a mensagem da Boa Nova.

Os profetas antigos e Moisés já haviam registrado no antigo testamento as leis divinas, mas coube a Jesus o ensino e a vivência dessas mesmas leis. Ele atraiu para si a responsabilidade de conduzir a Deus o seu rebanho, todos nós vinculados ao orbe terrestre, estejamos encarnados e desencarnados. Mas a Terra, sendo ainda um Planeta de Provas e Expiações, oferece as experiências de dor e sofrimento, em função da imperfeição dos espíritos que aqui vivem.

Como trazemos ainda mais as características da materialidade do que de espiritualidade, mais de vícios do que virtudes, muito nos complicamos diante das experiências.

Desta forma, somos nós mesmos que geramos os sofrimentos que aqui sofremos. É o mau uso do discernimento e do livre-arbítrio que nos coloca nestas situações. E isso demonstra que nossa estrutura psíquica ainda não se encontra apropriada à vivência de uma felicidade sem mesclas.

Porque são necessárias as conquistas de bases interiores para a vivência dessa felicidade que é o Reino de Deus em nós. E dessa forma, Jesus veio atear fogo à Terra com a missão de despertar e acender a centelha divina que cada um de nós tem dentro do próprio ser. E veio nos dignificar, ensinando que somos deuses, que temos um potencial imenso a ser desvelado e expresso. Que no futuro poderemos fazer até mais do que Ele fez, mas que para isso serão necessárias as conquistas de aprimoramento.

A chegada do Cristo no plano material proporcionou para o planeta a marca de uma nova era, onde todos fomos convidados a deixar a infância espiritual para adentrar na fase de maior idade e amadurecimento. E com isso, Jesus atraiu a Si a responsabilidade de cuidar e conduzir todos nós, sofredores e enfermos no mundo. 

Importante lembrar, que o sofrimento deixa a alma mais aberta e receptiva à própria espiritualidade e às mudanças necessárias. É nos momentos de dor que a criatura busca com mais fé e se entrega mais na busca dos valores imortais. E Jesus aparece como o primeiro e grande consolador. É o Vinde a mim todos vós que sois aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei. E de forma imperativa e segura complementa: Tomai meu jugo sobre vós e aprendei comigo que sou dócil e humilde de coração e encontrareis o descanso de vossas almas; pois meu jugo é suave e meu fardo é leve[1]. E o Espiritismo que é o Consolador enviado por Jesus, que veio no tempo previsto e trouxe a chave ao entendimento dos Seus ensinamentos. Clareando-nos sobre a reencarnação, a imortalidade da alma, a lei de causa e efeito, o livre-arbítrio, a lei de progresso e outros temas tão importante que dão sentido às palavras de vida eterna trazidas por Jesus.

E assim o Espiritismo vai consolando, porque o entendimento também diminui a dor, impede a revolta e nos esclarece que cada um é herdeiro de si mesmo. Cada criatura é responsável pela própria felicidade ou infelicidade. Pois a felicidade é a colheita do fruto de uma sementeira realizada ao longo do tempo.

Portanto o jugo de Jesus, que é aquilo que atrela e que também serve para conduzir e é, em verdade, o convite à vivência da Lei Divina em nossas vidas. É assumir a responsabilidade pelos próprios deveres. E é leve o fardo porque gradativamente vai liberando a própria consciência permitindo a conquista dos valores eternos que dignificam e elevam o ser que se esforça nesta vivência. É a tranquilidade de quem sabe que é um espírito eterno e que a vida durante um largo período, ainda seguirá no plano espiritual, para logo mais continuar de volta ao plano físico. Assumindo a autorresponsabilidade pela conquista da própria felicidade, auxiliando na criação da felicidade do outro, e então sabendo que Deus é um Pai infinitamente amoroso, justo e bom como Jesus ensinou e que nos propicia as oportunidades de vivenciarmos as experiências de que necessitamos para sermos melhores.

Rodrigo Ferretti

[1] Vinde a mim todos vós que sois aflitos e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e aprendei comigo que sou dócil e humilde de coração e encontrareis o descanso de vossas almas; pois meu jugo é suave e meu fardo é leve. Mateus 11: 28, 29 e 30.

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Riqueza e miséria

No decorrer do culto do Evangelho no lar de dona Isabel, André Luiz percebeu claramente que o garoto Joãozinho não compartilhava o banquete de luzes que a Espiritualidade Superior oferecia aos presentes. Já sua mãe e as quatros irmãs permutavam vibrações luminosas, demonstrando que estavam perfeitamente identificadas e unidas naquele sublime ideal cristão. Não obstante, o menino que completava o núcleo familiar, permanecia alheio, distante do ponto de vista espiritual, não se envolvia, pois estava fechado em um verdadeiro círculo de sombras.

De vez em quando, irônico, dirigia um sorriso aos participantes do estudo, completamente insensível ao significado espiritual o momento proporcionava. Foi então que ele, de forma desrespeitosa, perguntou à dona Isabel: “Mamãe, que entende a senhora por pobreza?” [1] A nobre matrona não se fez de rogada e respondeu com muita serenidade: “Creio, meu filho, que a pobreza é uma das melhores oportunidades de elevação, ao nosso alcance. Estou convencida de que os homens afortunados têm uma grande tarefa a cumprir, na Terra, mas admito que os pobres, além da missão que lhes cabe no mundo, são mais livres e mais felizes.

Na pobreza, é mais fácil encontrar a amizade sincera, a visão da assistência de Deus, os tesouros da natureza, a riqueza das alegrias simples e puras. É claro que não me refiro aos ociosos e ingratos dos caminhos terrenos. Refiro-me aos pobres que trabalham e guardam a fé. O homem de grandes possibilidades financeiras muito dificilmente saberá discernir entre a afeição e o interesse mesquinho; crente de que tudo pode, nem sempre consegue entender a divina proteção; pelo conforto viciado a que se entrega, as mais das vezes se afasta das bênçãos da Natureza; e em vista de muito satisfazer aos próprios caprichos, restringe a capacidade de alegrar-se e confiar no mundo.” [1]

Mais uma vez dona Isabel deu prova de sua sabedoria. O fato de nascermos em famílias ricas ou pobres é uma condição inerente às nossas necessidades evolutivas e aos processos pelos quais precisamos passar para nossa evolução espiritual. Ninguém reencarna pobre ou rico por acaso. Aliás, nenhuma das circunstâncias da existência é obra do acaso. O assunto é palpitante e sempre dá margem para discussão. É melhor nascer sob qual condição: de pobreza ou de riqueza?

Na verdade, depende do que necessitamos para nosso crescimento na atual reencarnação. Porém, via de regra, para o homem comum a prova da riqueza é mais difícil de ser vencida. Em relação aos benefícios da pobreza nem é preciso comentar as ponderações extremamente pertinentes, sábias e claras de dona Isabel. Entretanto, entendemos que cabe algumas reflexões sobre a riqueza, considerada por muitos como uma grande vilã do Espírito.

Veremos que não é bem assim… Assevera Allan Kardec: “Se a riqueza houvesse de constituir obstáculo absoluto à salvação dos que a possuem, conforme se poderia inferir de certas palavras de Jesus, interpretadas segundo a letra e não segundo o espírito, Deus, que a concede, teria posto nas mãos de alguns um instrumento de perdição, sem apelação nenhuma, ideia que repugna à razão. Sem dúvida, pelos arrastamentos a que dá causa, pelas tentações que gera e pela fascinação que exerce, a riqueza constitui uma prova muito arriscada, mais perigosa do que a miséria. É o supremo excitante do orgulho, do egoísmo e da vida sensual.

É o laço mais forte que prende o homem à Terra e lhe desvia do céu os pensamentos. Produz tal vertigem que, muitas vezes, aquele que passa da miséria à riqueza esquece de pronto a sua primeira condição, os que com ele a partilharam, os que o ajudaram, e faz-se insensível, egoísta e vão. Mas, do fato de a riqueza tornar difícil a jornada, não se segue que a torne impossível e não possa vir a ser um meio de salvação para o que dela sabe servir se, como certos venenos podem restituir a saúde, se empregados a propósito e com discernimento.”[2]

Portanto, a riqueza não é um entrave total ao aperfeiçoamento espiritual, pois se fosse abolida da face da Terra causaria males imensos e seria a condenação do trabalho, meio pelo qual podemos obtê-la. Uma das consequências disso seria a recondução do homem à selvageria, o que estaria em flagrante contradição com a Lei do Progresso. Não obstante, precisamos ressaltar que a riqueza e a pobreza são, como tantos outros, recursos neutros que Deus oferece a Seus filhos. Nenhum desses recursos é bom ou mau.

Em verdade, tais recursos resultarão em bons ou maus frutos de acordo com a utilização que os homens lhe derem. Em outras palavras, são as pessoas que fazem da pobreza e da riqueza instrumentos de felicidade ou de infortúnio. Sendo assim, independentemente de onde estivermos e da situação em que nos encontremos, agradeçamos sempre a Deus pelas oportunidades de evolução que nos são concedidas. Avaliemos com serenidade e sobriedade todos os recursos que estão à nossa disposição e façamos bom uso deles, sempre visando o bem.

Valdir Pedrosa
[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 36 (Mãe e filhos).
[2] O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – capítulo 16 (Não se pode servir a Deus e a Mamon) – item: Utilidade providencial da riqueza – provas da riqueza e da miséria.

 

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Influências

[…] está em nossas mãos libertarmo-nos das influências do mal e dos sofrimentos que elas acarretam. Dotados de livre-arbítrio temos condições de ceder ou não a tais influências.”
(O Livro dos Espíritos, questão 257)

Até que ponto as influências do meio em que vivemos podem nos impactar? Estamos sujeitos a alguma espécie de determinismo, de fatalidade? Estes questionamentos são alguns dos respondidos na obra O Livro dos Espíritos, na questão 257: “[…] Os sofrimentos deste mundo independem, algumas vezes, de nós; muito mais vezes, contudo, são devidos à nossa vontade. Remonte cada um à origem deles e verá que a maior parte de tais sofrimentos são efeitos de causas que lhe teria sido possível evitar.

Quantos males, quantas enfermidades não deve o homem aos seus excessos, à sua ambição, numa palavra: às suas paixões? Aquele que sempre vivesse com sobriedade, que de nada abusasse, que fosse sempre simples nos gostos e modesto nos desejos, a muitas tribulações se forraria. O mesmo se dá com o Espírito. Os sofrimentos por que passa são sempre a consequência da maneira de viver na Terra”.

Nesta mesma questão de O Livro dos Espíritos, Kardec afirma que se for de nossa livre vontade, podemos trabalhar no sentido de nosso desenvolvimento moral, por exemplo, conhecendo nossos próprios sentimentos e transformando-os: “dome suas paixões animais: não alimente ódio, nem inveja, nem ciúme, nem orgulho…”. É fundamental nos lembrarmos que quando praticamos o mal, o fazemos “por vontade própria” e podemos ceder às influências que estão fora de nós, por conta de nossas livres escolhas. Assim, abrimos caminho para as obsessões espirituais por invigilância.

Segundo os amigos espirituais, o nosso livre-arbítrio amplia-se na medida em que nos conhecemos melhor, quando aprendermos a nomear os sentimentos ocultos por detrás de cada pensamento ou ação de nossa parte. Isto implica em maturidade e reflexão, só possíveis com esforço próprio. A verdade é que não nos preocupamos em reconhecer e entender nossas emoções e é certo que elas exercem grande efeito sobre as nossas vidas. No aspecto físico, podem causar danos, minando o sistema imunológico e levando a doenças variadas.

Nos relacionamentos, a má qualidade das emoções pode arruinar amizades, casamentos, provocar isolamento. No trabalho, pode nos levar a disputas, confrontos, rejeição e, finalmente, decepção e fracasso. Ainda estando vacilantes na fé e às voltas com as questões da vida material, muitas vezes ansiosos pela conquista ou manutenção de status social, sobre a pressão do “ter” e do “poder” e deixamo-nos envolver pelas influências negativas presentes no meio em que vivemos.

As consequências aparecem sob a forma de aflições, doenças, sofrimentos. Não se trata de determinismo ou fatalidade, trata-se de colher por força de escolhas equivocadas. O espírito Joanna de Ângelis, nos alertando quanto às coisas deste mundo, afirma: “as conquistas dispensáveis pesam na economia emocional e passam a constituir preocupação que desvia a mente das metas que deve perseguir”.

Se queremos nos livrar das más influências em nossas jornadas, importante refletirmos sobre os lembretes de Kardec, acima comentados, procurando viver com mais sobriedade, sendo modestos nos desejos e nos livrando dos muitos condicionamentos sociais.

Letícia Schettino Peixoto
Franco, Divaldo Pereira. Plenitude. Pelo Espírito Joanna de Ângelis.
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos; FEB 1995. Questões 120 e 257, Capítulo VI, Parte II.