Novos tempos, novos ventos, novos começos!

Joanna de Ângelis no Capítulo 12, Consciência e Hábitos, do livro Momentos de Consciência, psicografado por Divaldo Franco, aborda a questão da importância da construção de hábitos edificantes. Deve o homem, pois cultivar a boa vontade, no ato de empenhar-se pelo seu progresso espiritual. Novos hábitos, em substituição àqueles que não permitem o indivíduo crescer espiritualmente, geram mais “consciência de ser”. Eles permitem que os seres se aproximem cada vez mais de um ideal humano de iluminação espiritual. Elucida a mentora: “A repetição dos atos gera hábitos e estes tornam-se memórias, que passam a funcionar automaticamente. Se eleges hábitos mentais de discernimento para o correto, agirás com segurança e essas memórias funcionarão automaticamente, amadurecendo-te intelectiva e afetivamente, com este comportamento oferecendo-te consciência de ti mesmo, identificação com o teu ‘Eu’ profundo.”
Vivemos em uma época de transição entre o velho e o novo. Os ”ventos” carregados de todas as mudanças necessárias, trazem convites para se firmar novos hábitos, deixando todo o peso da “velha carga” que aprisiona para trás. Novos tempos sempre trazem excelentes oportunidades! Há trabalho por toda a parte apenas esperando para ser feito. Assim reconhece quem já despertou espiritualmente para a importância do trabalho na seara bendita do Cristo. Mas sim, são tempos de transição planetária, e por isso é ainda mais desafiante estar encarnado na Terra. Novas etapas, novas oportunidades, novos começos e “re-começos”, novas “pedras no sapato! Cada ser humano caminha para o encontro do seu “verdadeiro eu”. Mais cedo ou mais tarde, despertará para a necessidade da reforma íntima, e posteriormente para a sua continuidade, através da necessidade do aprimoramento moral. Essencial também é praticar a gratidão, essa sabedoria máxima geradora e mantenedora da vida! Lições importantíssimas esperam por todos. O coração, centro de alma, deve estar sempre em prontidão aos aprendizados necessários. Aprendizados estes que nos elevam a patamares cada vez mais próximos do verdadeiro amor incondicional. A cada nova estação neste “trem” da vida, a destinação final aproxima-se. Importante ser portador da prática da fé. Aquela que traz a certeza de que tudo já deu certo! A fé move as engrenagens do tempo e mantém a luz do coração acesa em todo aquele que já descobriu que, se Deus é a força, então é necessário a entrega. Uma vez feita verdadeiramente esta entrega, as correntes dos melhores ventos começam a soprar a favor. Joanna fecha com chave de ouro o Capítulo 12, refletindo sobre uma máxima de Jesus: “O reino dos Céus está dentro de vós – acentuou Jesus com infinita sabedoria, em um tempo de grande ignorância e com um conteúdo de extraordinária atualidade.”

Denise Castelo Nogueira

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A prática do bem

Com sua profusa sabedoria, a Excelsitude Divina utiliza a cronologia para que a criação possa expressar potenciais, dentro de seu quadro evolutivo.
Nesta perspectiva, do Átomo ao Arcanjo, as possibilidades do tempo ensejam o progresso nos filhos do Senhor. Desafiador, entretanto, os indivíduos pensantes, suprassumo da evolução, conforme supõe a Biologia, devem entender o valor do tempo na prática do bem, em proveito de si próprios.
Ainda arraigados ao materialismo feroz, com certa dificuldade, começamos a vislumbrar a necessidade de observar as luzes espirituais libertadoras, por vezes, diante das dores multivariadas, que são oportunidades de superação ao longo do caminho. Sob esse soslaio, verificamos que o bem direcionado a outrem, é capaz de nos fornecer um refrigério nas sufocantes emoções deturpadas de cada dia.
Embora muitos pensem ser as “grandes obras” o supremo bem aqui na Terra, conquanto sejam louváveis, é imperioso enaltecer que todas elas partiram das mais rudimentares iniciativas, como a palavra amiga entre seres, o planejamento generoso de almas, as conversas quase casuais, o estímulo fraterno. Quantos, sem saber, participaram da ideia nascente de companheiros em busca da evolução moral? Da mesma maneira, as lágrimas compartilhadas, os sorrisos direcionados, as orações sentidas e vivenciadas, bem como o amplexo simples, atestam a possibilidade de qualquer Espírito fazer algo em benefício do próximo.
Sabemos que cada segundo que se passa é pretérito, mas, também, oportunidade de renovação. É tempo de lembrarmo-nos de Jesus que, em todos os segundos de sua passagem conosco, mostrou-nos a importância do dinamismo, na prática do amor, da caridade e da indulgência.

Jerônimo Ferreira

Referência: Emmanuel, Caminho, Verdade e Vida. Lição 60

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A prece pode transformar

“A mente centralizada na oração pode ser comparada a uma flor estelar, aberta ante o infinito, absorvendo-lhe o orvalho nutriente da vida e luz.”1
A prece, quando feita com a mente sintonizada com o plano superior, e aliada à higiene do espírito, nos coloca em contato direto com o Criador. André Luiz, na citação acima, nos esclarece que ao orarmos com a “mente centralizada”, criamos as condições necessárias para recebermos do mais alto o “nutriente” divino que irá nos beneficiar, seja qual for a nossa necessidade. Ao orarmos com amor e sinceridade, nos “blindamos” contra o mal, nos ligamos ao plano superior e criamos campo para que o bem maior, por meio da espiritualidade amiga, consiga se ligar a nós e trazer o lenitivo de luz que tanto necessitamos.
“A prece é o amor que beija o sofrimento e o consola, é a caridade que envolve o infortúnio e reanima o sofredor, retemperando-lhe as energias.”2
Por meio da prece, nossa caminhada neste planeta, que por vezes se faz tão sofrida, se transforma em suave escalada rumo à nossa própria redenção, ela é a luz que se acende em meio à tenebrosa nevoa de pessimismo que paira no ambiente terreno, é o alimento indispensável do Espírito que estagia na matéria grosseira para se depurar.
Como o relâmpago prenunciando a tempestade, a oração precede o eflúvio de sentimentos maravilhosos que invade o imo daquele que se eleva e comunga do amor divino com toda a criação.
Seja no êxtase ou na petição, na alegria ou na aflição, na dor ou na gratidão, a prece nos eleva acima das vicissitudes da matéria a exteriorizar e elevar nossa mente e coração.

Fábio Noronha

Bibliografia:
1 Mecanismos da Mediunidade. Chico Xavier, por André Luiz. Cap. 25.
2 O Cavaleiro de Numiers. Yvonne do Amaral Pereira,
por Charles. Parte 4, cap. 3.

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Amor e respeito à natureza

Em uma paisagem belíssima que lembrava os salões verdes de “Nosso Lar”, o superior hierárquico dos trabalhadores espirituais do campo solicitou a Aniceto que interpretasse uma lição evangélica. O querido benfeitor atendeu de pronto e abriu o Evangelho do Cristo na carta escrita por Paulo de Tarso aos Romanos[1]. Enquanto meditava, sublimada luz lhe aureolava a fronte. Diante do profundo silêncio que reinava no ambiente e total interesse dos colaboradores da gleba, bois, muares e aves se aproximaram, atraídos por forças magnéticas que André não conseguiu compreender.
Após a leitura do ensinamento do Apóstolo dos Gentios, Aniceto iniciou os comentários ponderando que há milênios a Natureza espera a compreensão e a colaboração dos homens, todavia só recebe a opressão de todas as vaidades humanas. Lembrou que muitas vezes o auxílio dos trabalhadores espirituais do solo é, lamentavelmente, convertido em baixas explorações no campo dos negócios terrestres. Destacou que a maioria dos cultivadores da terra tudo exige sem nada oferecer.
A parte seguinte da palestra de Aniceto é uma verdadeira ode à Natureza, conclamando o homem a assumir seus deveres e responsabilidades perante a grande obra do Criador. Além disso, destaca-se a impressionante atualidade do ensino, embora a primeira edição do livro em estudo tenha sido publicada no distante ano de 1944: “Enquanto zelais, cuidadosamente, pela manutenção das bases da vida, tendes visto a civilização funcionando qual vigorosa máquina de triturar, convertendo-se os homens, nossos irmãos, em pequenos Moloques[2] de pão, carne e vinho, absolutamente mergulhados na viciação dos sentimentos e nos excessos da alimentação, despreocupados do imenso débito para com a Natureza amorável e generosa. Eles oprimem as criaturas inferiores, ferem as forças benfeitoras da vida, são ingratos para com as fontes do bem, atendem às indústrias ruralistas, mais pela vaidade e ambição de ganhar, que lhes são próprias, que pelo espírito de amor e utilidade, mas também não passam de infelizes servos das paixões desvairadas. Traçam programas de riqueza mentirosa, que lhes constituem a ruína; escrevem tratados de política econômica, que redundam em guerra destruidora; desenvolvem o comércio do ganho indébito, colhendo as complicações internacionais que dão curso à miséria; dominam os mais fracos e os exploram, acordando, porém, mais tarde, entre os monstros do ódio! É para eles, nossos semelhantes encarnados na Crosta, que devemos voltar igualmente os olhos, com espírito de tolerância e fraternidade. Ajudemo-los ainda, agora e sempre! Não esqueçamos que o Senhor está esperando pelo futuro deles! Escutemos os gemidos da criação, pedindo a luz do raciocínio humano, mas não olvidemos, também, a lágrima desses escravos da corrupção, em cujas fileiras permanecíamos até ontem, auxiliando-os a despertar a consciência divina para a vida eterna! Ainda que rodeiem o campo de vaidades e insolências, auxiliemo-los ainda, O Senhor reserva acréscimos sublimes de valores evolutivos aos seres sacrificados. Não olvidará Ele a árvore útil, o animal exterminado, o ser humilde que se consumiu em benefício de outro ser! Cooperemos, por nossa vez, no despertar dos homens, nossos irmãos, relativamente ao nosso débito para com a Natureza maternal.”[3]
Aniceto finalizou comentando a importância do nitrogênio para a vida no planeta. Trata-se de gás inerte, incolor, inodoro e insípido, também conhecido como azoto. O ciclo do nitrogênio é o processo através do qual ele circula pelas plantas e pelo solo sob ação de micro-organismos, passando por vários procedimentos até que lhe seja possível se fixar nas raízes das plantas. Por ser de baixa reatividade, não tem como o nitrogênio ser obtido diretamente de sua fonte primária e utilizado pelas plantas. Ele precisa ser decomposto por bactérias e algumas algas azuis portadoras dessa característica. O ciclo possui diversos passos e ocorre, inicialmente, quando o nitrogênio em estado gasoso na atmosfera, se transforma em nitrato e amônia, beneficiando os vegetais, e em aminoácidos, beneficiando os animais. A partir daí cada etapa se desenvolve obedecendo a criterioso e perfeito programa da Natureza. Cabe ressaltar que o nitrogênio é um componente que faz parte da composição de duas moléculas orgânicas de fundamental relevância para os seres vivos: as proteínas e os ácidos nucleicos.[4] [5]
Face ao exposto, o nobre mentor espiritual, cercado pelos animais que pareciam estar atentos a sua fala, destacou como é fundamental que o homem se conscientize da premente necessidade de se tornar um cooperador do planeta, sem se converter em exterminador da fauna nem destruidor da flora, mas sim amando a terra, sem explorá-la com objetivos inferiores. “Observamos com o Evangelho que a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus encarnados! Concordamos que as criaturas inferiores têm suportado o peso de iniquidades imensas! Continuemos em auxílio delas, mas não nos percamos em vãs contendas. Os homens esperam também a nossa manifestação espiritual! Desse modo, ajudemos a todos, no capítulo do grande entendimento.”[3] A lição é clara: dependemos uns dos outros e todos somos responsáveis pela vida no planeta.

Valdir Pedrosa

[1] Epístola de Paulo aos Romanos 8:19-21.
[2] Moloque era um deus adorado pelos amonitas na terra de
Canaã, cujo principal ritual era o sacrifício de crianças.
[3] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado
por Francisco Cândido Xavier – capítulo 42 (Evangelho no
ambiente rural).
[4] www.infoescola.com/meio-ambiente/ciclo-do-nitrogenio/
[5] www.brasilescola.uol.com.br/biologia/ciclo-nitrogenio.htm

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Em contrapartida

Eu conheci a Doutrina Espírita em minha juventude, fase da vida muito favorável às mudanças. E convenhamos – mudar não é fácil! No entanto, reconhecer que as bases espíritas estão naturalmente presentes nos múltiplos campos do conhecimento humano, facilita bastante. Dizendo de outra forma: o espiritismo não pretende ser uma doutrina de contradição, mas sim de iluminação. Vejamos um exemplo.
Entre as ciências biológicas existe um conteúdo muito interessante denominado “Relações ecológicas interespecíficas”. Nele, encontraremos os diversos modos pelos quais as espécies se relacionam dentro de uma harmonia que revela a existência de uma inteligência suprema, causa primária de todas as coisas. Assim, um beija flor em busca do néctar é muito mais do que um simples processo de polinização. Trata-se da própria expressão do Criador dentro de uma realidade de intercâmbio, pois a ave promove a reprodução da flor como contrapartida. Da mesma forma, as dores da alma são frequentemente motivadas pela não percepção de que a CONTRAPARTIDA É A REGRA DO JOGO. Analisemos as relações amorosas, as familiares, as comerciais, sem o valor da retribuição e, pronto – sofrimento à vista! Acontece que a contrapartida, como não poderia deixar de ser, constitui-se a base sublime das relações que se estabelecem entre as almas em jornada na Terra e os espíritos. Neste caso, traduzimos contrapartida como “Intercâmbio mediúnico”. No livro Mediunidade e Sintonia, o espírito Emmanuel assevera que “Se o homem recebe o concurso dos Espíritos Benfeitores, é natural que os Espíritos Benfeitores algo esperem igualmente do homem”. Notemos, portanto, que a mesma relação ecológica que se estabelece ao nível dos seres vivos também está presente na dimensão do espírito.
O desconhecimento dessa realidade faz com que a pessoa gaste muito tempo e muita energia na pretensão de ser servida e não servir, de ser elogiada e não elogiar, de receber e não se dar, ser perdoada e não perdoar, ser amada e não amar. No entanto, o Evangelho de Jesus e a Doutrina Espírita nos remetem a um movimento exatamente contrário, oferecendo-nos como guia, por exemplo, a oração de São Francisco – “Senhor, fazei que eu procure mais, consolar que ser consolado. Compreender, que ser compreendido, amar que ser amado. Pois é dando que se recebe. É perdoando que se é perdoado”.
Neste sentido, o médium não pode ignorar A SUA CONTRAPARTIDA em resposta a todos os benefícios potenciais que o intercâmbio mediúnico pode lhe propiciar. É um equívoco frequentar grupos de estudo e reuniões de educação mediúnica desconsiderando que o Evangelho é uma valiosa modalidade do Livro dos Médiuns. É pelo exercício constante da caridade, da simplicidade, do desapego material, da humildade, que ofereceremos aos espíritos a possibilidade da comunicação e da intervenção amorosa em nossa realidade individual e coletiva. É imprescindível assumir um papel ativo diante do trabalho mediúnico por meio de testemunhos diários no seu campo de ação promovendo belos avanços nos diversos setores da vida. Emmanuel na obra supracitada resume o tema afirmando que o “progresso universal, em todos os tempos, é obra de intercâmbio”. E quem não deseja o progresso universal… EM CONTRAPARTIDA?

Vinícius Moura

Referência:
Mediunidade e sintonia. Francisco Cândido Xavier ditado pelo
espírito Emmanuel. Cap.4: Intercâmbio.

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Um passo além…

Encontraremos em Aristóteles uma reflexão bem profunda que diz: “O todo é sempre maior que a soma de suas partes.” Ao apreciarmos essa bela filosofia e associarmos à Doutrina Espírita, conseguiremos compreender rapidamente como ela ocorre na prática. A partir do momento em que compreendemos que somos um coletivo de pensamentos, sentimentos e expressões; que nunca estamos sós; que agimos sempre acompanhados por “uma multidão de testemunhas”, passamos a ter maior consciência de nossos atos. E, por consequência, começamos a refletir com mais critério acerca de tudo aquilo que ocorre em nossas vidas.

O espiritismo nos revela o quanto somos influenciados uns pelos outros. E, neste sentido, nos responsabiliza ainda mais diante de nossos atos, pois nos faz compreender que o problema de um é o de todos. Não estamos sós e não avançamos sós. Compreender que nossa participação tem um efeito coletivo é a base para a edificação da melhoria de nós mesmos e, por consequência, de todos. É neste âmbito que, ao somarmos todas as partes iremos sempre alcançar algo maior daquilo que já possuímos. Esse talvez seja o princípio filosófico do conceito de evolução.

Contudo, precisamos ainda discutir o nosso modo de proceder. Ideologias e filosofias são plataformas significativas para que as ações se expressem. Crenças e concepções só se fortalecem com atitudes e realizações. Tiago já nos advertia que “a fé sem obras é morta”.

Aqui, convidamos a todos para darem um passo além…

Um passo além de onde estamos, do que temos feito, do que temos pensado, do modo como temos relacionado…

Um passo além do nosso modo automático de agir, de falar e de sentir…

Compreendendo a evolução como um movimento contínuo, precisamos entender claramente que passo além é este que precisamos dar. Emmanuel, no livro Justiça Divina, no capítulo “Nas leis do amor”, nos explica o sentimento e atitudes que são os pilares para alcançarmos a evolução: “À medida que penetramos os segredos do amor puro, vamos reconhecendo que ninguém pode ser realmente feliz sem fazer a felicidade alheia no caminho em que avança.”

O passo que precisamos dar é além de nós mesmos. Vencermos nosso egoísmo e, por consequência, tudo aquilo que se desdobra dele em nosso dia a dia, em nossas relações; em nosso trabalho, família, instituições; de modo geral, em tudo aquilo que nos associamos.

Em Fonte Viva, no capítulo “A cortina do ‘eu’”, Emmanuel tece uma bela dissertação sobre o quão sutis são as faces por onde o egoísmo se esconde. Enxergar por detrás da cortina exige de todos nós abertura e mobilidade. Ele mesmo nos alerta que “por trás da cortina do “eu”, conservamos lamentável cegueira diante da vida.” E ampliando nosso conceito de ego ele nos mostra o quanto continuamos sendo egoístas até quando agimos enquanto “coletividade”. E, como conclusão de nossa reflexão, fica a mensagem de Paulo, aos Filipenses, que é a introdução deste capítulo de Emmanuel (que vale muito ser conferido): “Porque todos buscam o que é seu e não o que é do Cristo Jesus.”

Carla Barros

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A influência do Espiritismo no progresso da humanidade

“Ninguém deita remendo de pano novo em veste velha, porque semelhante remendo rompe a veste, e faz-se maior a rotura.” Mateus, 9:16

O progresso da humanidade é um processo de aquisição gradual de virtudes, sobre as quais se assenta a renovação espiritual da humanidade. Entendendo que “A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem. Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso.” [1] ou seja, daquele homem que se porta e, em sociedade, se comporta à luz da orientação do Espiritismo cristão. Segundo o evangelista Mateus, Jesus nos alerta que a aquisição de novos hábitos implica o rompimento com antigas condutas, muitas delas cristalizadas ao longo de encarnações e que podem ser exemplifica das por vestes velhas. Mesmo sendo uma lei natural que nos impulsiona ao progresso, quis Deus que cada um fosse o responsável pelo seu adiantamento: aqueles que mais se esforçam, melhores resultados obtêm. “Todo Espírito que se atrasa não pode queixar-se senão de si mesmo, assim como o que se adianta tem o mérito exclusivo do seu esforço, dando por isso maior apreço à felicidade conquistada.” [2]

Com esforço, a humanidade continuará a caminhar, pois só com o tempo as ideias se transformam; gerações serão necessárias para que o Espiritismo cristão possa ser compreendido, e mais do que isso, apreendido, sentido e praticado, em toda a sua extensão. A prevalência atual das ideias materialistas, decorrente do descompasso entre o progresso intelectual/material e o progresso moral, serão, sim, obstáculo. O Espiritismo, “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade, faz que os homens compreendam onde se encontram seus verdadeiros interesses. Deixando a vida futura de estar velada pela dúvida, o homem perceberá melhor que, por meio do presente, lhe é dado preparar o seu futuro. Abolindo os prejuízos de seitas, castas e cores, ensina aos homens a grande solidariedade que os há de unir como irmãos.” [3] Vencidos o orgulho e o egoísmo, que retardam o progresso da Humanidade, alcançaremos a “[…] suprema felicidade só é compartilhada pelos Espíritos perfeitos, ou, por outra, pelos puros Espíritos, que não a conseguem senão depois de haverem progredido em inteligência e moralidade.” [4]

Rômulo Novais
[1] KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de Guillon Ribeiro. 126. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006.
Cap. 17, item 8.

[2] KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manuel
Justiniano Quintão. 59. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Primeira
parte, cap. 3, item 7.
[3] KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon
Ribeiro. 89. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2007, questão 799.
[4] KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. Tradução de Manuel
Justiniano Quintão. 59. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2006. Primeira
parte, cap. 3, item 7.

Sigamos acordados

O despertar, a cada dia, é uma nova oportunidade nessa escola de aprendizagem e crescimento espiritual, porém nem sempre nos damos conta dos detalhes dessa oportunidade. Abrimos os olhos e vemos; nos erguemos do leito e temos a capacidade de nos locomover; ouvimos os sons que nos chegam e os compreendemos; sentimos o cheiro familiar do alimento de cada dia, das flores e das pessoas que amamos.
Às vezes não nos conscientizamos de que são oportunidades, agimos de forma automatizada, mas são ferramentas imprescindíveis, são facilidades em nossa caminhada.

Não deveríamos deixar de agradecer por possuí-las. Velhos condicionamentos podem nos levar a focar a atenção no que nos falta e isso atrasa a nossa caminhada. Observemos nossos pensamentos repetitivos de queixas e lamentações e reflitamos que eles servem para nos manter em um falso lugar. Devemos escolher ser autores de nossa própria história. Valorizemos e aprimoremos nossa inteligência, cultivemos a empatia, a tolerância e a bondade para aprimorar as relações familiares, de trabalho e de convivência em geral. Se não utilizarmos bem o que temos, realizaremos menos do que poderíamos. Nos perderemos na queixa e deixaremos de crescer. As consequências continuam sendo de nossa responsabilidade.
As dificuldades que todos enfrentamos devem ser analisadas com um novo nível de consciência iluminada pela gratidão. Não são problemas, são oportunidades de aprendizado e crescimento espiritual. Aprender e mudar são os objetivos de nossa caminhada como seres em evolução. Se, sobretudo, temos a responsabilidade do exercício da mediunidade, realizemos mais, abandonemos a queixa e concentremos nossas energias, talentos e possibilidades na edificação do BEM em torno de nossos passos. Emmanuel nos aconselha que, “fé e obras de generosidade, perdão, humildade e amor” nos mantém “acordados para as oportunidades de serviço”. “Avancemos para diante… renunciando a nós mesmos.”

Lucia Elena Rodrigues

Somos todos uma só família

Com certeza já ouvimos dizer que fazemos parte da família universal. Este conceito para nós ainda é de difícil compreensão, pois estamos muito conectados com a nossa família, nossos amigos, nossos projetos. Porém, já podemos ampliar nossa percepção quando, por meio dos ensinamentos de Jesus, aprendemos que família é muito mais do que união pelos laços consanguíneos.

Jesus se refere a todos que fazem a vontade do Pai como membros de uma mesma família. Quando refletimos sobre estas revelações, ampliamos nossa consciência cristã e nossa capacidade de percepção das necessidades do próximo. O orientador espiritual Emmanuel nos ensina que “dar na essência significa abrir caminhos, fundamentar oportunidades, multiplicar relações.” De nossa parte, acrescentamos que este movimento se dá nos dois planos da vida, possibilitando para aquele que opera no bem, a construção de bases sólidas para as conquistas imperecíveis da alma em qualquer circunstância.

Quando, diminuímos a dor do próximo sem exigir recompensa, acessamos forças potenciais para transformação de todos e, investimos em nossa própria felicidade. A cooperação e a fraternidade são elementos fundamentais no equilíbrio espiritual do indivíduo e da coletividade, sendo também valores educativos por meio dos quais sintonizamos com as forças divinas. Desta forma, ora damos apoio aos que vêm na retaguarda, ora recebemos daqueles que já avançaram mais do que nós. Este é o movimento natural da evolução. 

Quando partilhamos, estamos atendendo a um apelo da vida maior, que nos convida a contribuir e a sermos úteis, lançando sementes para as mudanças necessárias a favor do bem geral, pois de fato somos depositários das riquezas que nos são concedidas por Deus. 

Ao falarmos em doação, nos referimos não só aos bens materiais, que mitigam dores profundas, mas também a outras
riquezas, como tempo, conhecimento e boa vontade, que geram consolação, entusiasmo, gentileza e encorajamento.
A casa de Glacus é núcleo de estudo, fraternidade, oração e trabalho, onde vivenciamos na prática a experiência da partilha em família, do trabalho em equipe, onde todos são peças importantes para a construção desta célula de amor.

 

Mariluce Gelais

Administração

“Dá conta de tua administração.” Jesus – (Lucas, 16:2)

Na essência, cada homem é servidor pelo trabalho que realiza na obra do Supremo Pai, e, simultaneamente, é administrador, porquanto cada criatura humana detém possibilidades enormes no plano em que moureja.

Mordomo do mundo não é somente aquele que encanece os cabelos, à frente dos interesses coletivos, nas empresas públicas ou particulares, combatendo intrigas mil, a fim de cumprir a missão a que se dedica.

Cada inteligência da Terra dará conta dos recursos que lhe foram confiados. 

A fortuna e a autoridade não são valores únicos de que devemos dar conta hoje e amanhã.

O corpo é um templo sagrado.

A saúde física é um tesouro.

A oportunidade de trabalhar é uma bênção.

A possibilidade de servir é um obséquio divino.

O ensejo de aprender é uma porta libertadora.

O tempo é um patrimônio inestimável.

O lar é uma dádiva do Céu.

O amigo é um benfeitor.

A experiência benéfica é uma grande conquista.

A ocasião de viver em harmonia com o Senhor, com os semelhantes e com a Natureza é uma glória comum a todos.

A hora de ajudar os menos favorecidos de recursos ou entendimento é valiosa.

O chão para semear, a ignorância para ser instruída e a dor para ser consolada são apelos que o Céu envia sem palavras ao mundo inteiro.

Que fazes, portanto, dos talentos preciosos que repousam em teu coração, em tuas mãos e no teu caminho? Vela por tua própria tarefa no bem, diante do Eterno, porque chegará o momento em que o Poder Divino te pedirá: — “Dá conta de tua administração.”

Mensagem do Livro Fonte Viva, pelo Espírito Emmanuel Médium: Francisco Cândido Xavier