Sensibilidade afetiva

“Se os homens se amassem com mútuo amor, mais bem praticada seria a caridade;
mas, para isso, mister fora vos esforçásseis por largar essa couraça que vos cobre os corações…”
(Pascal. Sens, 1862. Evangelho Segundo o Espiritismo- Cap. XI, item 12)

A afetividade é a capacidade do ser humano de experimentar tendências, emoções, paixões e sentimentos. Por meio do afeto entendemos o mundo, damos significado às nossas relações e à vida.

Observe quão especial se torna uma relação quando expressamos nosso afeto! Por exemplo: um casamento é uma formalidade, mas pode ser muito especial na sua vida quando você está se casando ou é casado com a pessoa que ama. Um trabalho pode ser um difícil ganha pão ou uma oportunidade de fazer seu melhor, de servir ou de estar com pessoas que admira! O luto é outro bom exemplo: quando lamentamos o desenlace de alguém, sentimos saudades, estamos expressando o afeto por aquela pessoa que acaba de partir para pátria espiritual.

Espírito Ermance Dufaux, na obra de Wanderley de Oliveira, Laços de Afeto, tece valorosos comentários sobre nossas inibições ou dificuldades afetivas. Da leitura, extraímos alguns pontos de atenção, como a necessidade de sinceramente refletirmos sobre o tema “endurecimento do afeto” e buscarmos encontrar as “feridas do coração” que lhe deram origem gerando insensibilidade no trato conosco e com os outros. Quais seriam nossas vivências dolorosas, traumas, carências, culpas, revoltas que nos conduziram à instabilidade emocional ou a relacionamentos conflituosos, regados a muita raiva, agressividade e pouca paz? Vamos refletir construtivamente?

Afirma a benfeitora que “quanto mais maduro espiritualmente, mais disposto ao afeto encontra-se o ser”. Mas a maturidade, sabemos, pressupõe muitas experiências construtivas no caminho de evolução de um espírito. É uma conquista trabalhada ao longo dos séculos, com o exercício da ponderação, da honestidade e do serviço amoroso.

 Assim, cada individualidade, neste planeta e neste momento, se encontra num determinado patamar, mas todos, certamente, com a capacidade de reflexão e dedicação rumo à reeducação de tendências, inclinações e sentimentos. Buscar a cura de “antigas feridas” e renovar atitudes, cicatrizando as “feridas do afeto”, é possível para todos nós! Entretanto, ao simples querer há que se somar a disciplina, a fé, a humildade. É preciso romper com os dolorosos grilhões da insegurança, da auto- -piedade, das exigências fantasiosas (“quero ser amado e compreendido por todos”), entendendo que é mais valoroso dar afeto do que recebê-lo, “gratificando-se no ato de amar, mesmo que não seja amado”, reforça Ermance Dufaux.

Sobre a possibilidade de vencermos nossas más tendências, nossos hábitos equivocados, nos esclarecem os Espíritos, na questão 909 da obra de Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, que sempre, através de nossos esforços, e “às vezes, pouquíssimos esforços”, poderíamos superar estas inclinações doentias, mas a verdade é que poucos entre nós estão dispostos a esta empreitada.

O desafio é buscar administrar a sensibilidade afetiva. A sensibilidade, entendida como recurso de elevação espiritual, ilumina o nosso raciocínio e nos permite: “estar sensível ao sucesso escolar do filho, ao esforço da companheira no lar, ao heroísmo do esposo em servir, proteger… com a reunião familiar para alimentação, com a oração feita em conjunto…”.

A ausência de sensibilidade afetiva nos impede de entendermos os motivos do próximo, estimula a indiferença e nos dificulta a caminhada rumo ao perdão, à tolerância e à aceitação amorosa do diverso. É tempo de mudar!

Tornar nossas relações mais afetuosas passa, sem dúvida, por conhecer nossos sentimentos, dar nome a eles, buscar controlar nossas reações e expressar carinho e atenção em todas as oportunidades, lembrando o que nos ensinou o Mestre Jesus, que não se pode verdadeiramente amar a Deus sem amar ao próximo.

 Letícia Schettino Peixoto

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A visão dos espíritos sobre a arte

No livro O Consolador, psicografado por Chico Xavier, Emmanuel traz uma definição espiritual sobre as artes ao abordar o tema. Ele diz: “a arte pura é a mais elevada contemplação espiritual por parte das criaturas. Ela significa a mais profunda exteriorização do ideal, a divina manifestação desse ‘mais além’ que polariza a esperança humana. Artista verdadeiro é sempre o ‘médium’ das belezas eternas e o seu trabalho, em todos os tempos, foi tanger as cordas mais vibráteis do sentimento humano, alçando-o da Terra para o infinito e abrindo, em todos os caminhos, a ânsia dos corações para Deus, nas suas manifestações supremas de beleza, de sabedoria, de paz e amor”. Na resposta da questão 161 de O Consolador, Emmanuel explica a relação entre a arte e o que ele chamou de contemplação espiritual. Contemplar, segundo ele, significa abrir-se receptivamente para a experiência que gerou a contemplação, a tal ponto que a experiência absorva completamente o indivíduo que está a contemplar. Esse ato exige que voltemos a nós mesmos de maneira profunda e intensa, e compará-la a um ato de meditação íntima e única é a melhor forma de entendê-la.

No livro Nos domínios da mediunidade, psicografado por Chico Xavier, André Luiz também fala sobre esse tema. Segundo a visão espiritual trazida por ele, a arte é a mediunidade do belo, em cujas realizações encontramos as sublimes visões do futuro que nos é reservado. O belo é um conceito definidor de padrões de estética, não sendo muitas vezes definido pelo gosto particular. A arte então seria uma maneira de se expressar a beleza, na tentativa de se trazer aspectos divinos para as nossas vidas, através da busca infinita da conexão do homem com Deus. Ao vislumbrarmos as infinitas possibilidades que podemos encontrar, porque somos criações divinas, mais esperança nutre os nossos corações e os corações de todos aqueles com que compartilhamos uma arte, independente dela ser de nossa própria autoria ou não. A arte muda e sempre mudará o mundo. A revolução que as artes causam à humanidade começam em um ato muito silencioso, íntimo, um momento único entre a arte e o ser que a contempla. Toda arte vem com esse direcionamento, tocar corações de forma única. A maneira como reagimos a uma manifestação artística pode nos dizer muito mais sobre nossos próprios aspectos individuais, nosso mundo íntimo, do que propriamente condizer com a ideia original expressa da concepção artística apresentada. Contemple. Contemple o belo. Contemple as artes. Eleve-se. Mais perto estarás de uma conexão mais profunda com Deus, rumo à fixação de uma felicidade e paz necessárias ao seu processo de redenção.

Denise Castelo Nogueira

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Um convite à renovação

É com imensa gratidão que sentimos novamente os ares de dezembro se aproximando. É um mês que sempre chega colorindo e iluminando os ambientes, trazendo o espírito natalino com suas manifestações de solidariedade, talvez um pouco mais intensas numa época que representa também um marco final de um ciclo e o prelúdio de novos começos. 

E diante de tudo que vivenciamos no decorrer deste ano ímpar, repleto de desafios, não podemos deixar de volver nossos olhares para trás a fim de agradecer a Deus, com a certeza da vitória e do aprendizado que estas experiências nos trouxeram. Foram momentos de dor, perdas, solidão, tristezas, incertezas; dificuldades inúmeras que, de certa forma, não foram, mas ainda continuam presentes em nossa realidade. Contudo, o que realmente ficou no passado foi o nosso modo antigo de olhar para a vida, para nós mesmos e para o nosso próximo.

Embora existam pessoas resistentes à mudança e que ainda não despertaram para a necessidade de renovarem a si próprias, é incontestável o fato de que a mudança veio para ficar, para impulsionar nosso progresso, que a impermanência é lei da vida, e não temos outro caminho senão o de acompanhá-la com a nossa renovação interior. 

Cabe então refletirmos como temos usado nossa capacidade de renovação diante de tantos fenômenos de mudança que a vida tem colocado para cada um de nós. Como temos lidado com a nossa mente mergulhada numa revolução de informações a todo o tempo?
Como temos enfrentado as adversidades, a escassez de recursos materiais, a angústia da perda de entes queridos, os reveses, as enfermidades, os conflitos de relacionamento e na família? Mas sejam quais forem as dificuldades que atravessamos, elas significam que a vida está favorecendo nossa renovação, porque Deus nunca nos envia problemas sem que estejamos prontos para vencê-los.

O primeiro passo a ser dado em busca da renovação interior é a aceitação e a paciência, sem fuga do trabalho. O trabalho de autoaprimoramento, que deve ser constante, isto é, diário, vai exigir que nós olhemos para dentro do nosso íntimo como um observador atento, reconhecendo que há imperfeições que precisam ser acolhidas para, em seguida, serem transformadas. É um trabalho que exige desapego de nossa parte, exige libertarmos ideias antigas que construíram a imagem que carregamos de nós mesmos. Muitas vezes nos vemos como vítimas da vida, contamos algumas mentiras para nós mesmos e acreditamos nelas. Acreditamos que somos incapazes de mudar, que não vamos conseguir; que nascemos assim e vamos desencarnar assim; que os outros é que devem mudar para se adaptarem a nós; que já somos virtuosos o bastante. Acreditamo-nos desanimados, cansados, ou talvez com preguiça, ou com medo de fracassar, e assim vamos adiando indefinidamente os nossos propósitos de renovação. É possível também que estejamos aguardando algo mais acontecer em nossa vida e dar aquele “ empurrãozinho” inicial, ou alguém especial chegar; ou a cura de uma enfermidade; o emprego dos ossos sonhos ou a almejada aposentadoria; também pode ser que estejamos esperando a pandemia acabar, ou quem sabe a desencarnação chegar, para, na próxima reencarnação, assim iniciar… E enquanto não começamos, o tempo vai escoando das nossas mãos e vamos sobrevivendo…


Urge conferir valor ao nosso tempo aqui na Terra, priorizando realmente o que é essencial para a nossa evolução espiritual e para o progresso da humanidade, afinal, foi para isso que reencarnamos. Por isso temos que ter cuidado com as dispersões, com tudo aquilo que tira nossa atenção do verdadeiro propósito da nossa vida. Afinal, iremos prestar contas de cada hora abençoada que recebemos diariamente das mãos do criador.


Muitas vezes colocamos a direção de nossas vidas no “piloto automático”, que nos leva sempre para aquele lugar comum ao qual já estamos acostumados, pelo benefício da comodidade que nos proporciona, pela facilidade, por não exigir de nós reflexão e esforço constantes.

Mas a força da vontade, associada à ação persistente, poderá nos levar a um lugar diferente, a construir novos destinos, fazendo as melhores escolhas com sabedoria, e assim irmos escrevendo a nossa história a cada dia. E se já existe a vontade, vamos aceitar convite que está vindo para todos nós hoje. Vamos traçar um roteiro de renovação interior enquanto há tempo. Emmanuel, no livro Paz e Renovação, psicografado por Chico Xavier, na lição intitulada “Renovação”, nos presenteia com 15 eixos norteadores para colocarmos em prática em nossa vida ainda hoje, onde quer que estejamos. São ações que vão projetar luz em nossas sombras interiores, que vão nos ajudar no reequilíbrio espiritual sempre que formos defrontados por obstáculos e conflitos diversos. Podem até parecer  difíceis de serem concretizadas hoje, mas serão facilidades no amanhã:

“1) Zelar pela própria apresentação;
2) Aprender uma lição nova;
3) Multiplicar os interesses de viver;
4) Acentuar estudos para discernirmos
com mais segurança;
5) Partilhar campanhas de educação e
beneficência;
6) Aperfeiçoar-se na profissão;
7) Prestar serviço ao próximo;
8) Adaptar-se às novidades construtivas para acompanhar o progresso;
9) Aprimorar expressões e maneiras,
alteando ideias e emoções;
10) Ler um livro recente;
11) Adquirir mais cultura;
12) Recomeçar um empreendimento que
o fracasso esmagou;
13) Aumentar o número de afeições;
14) Sofrer complicações em favor dos
amigos;
15) Criar novos recursos de atividade
edificante, em torno de si mesmo”.

Que possamos concretizar a nossa renovação com base no Evangelho do Cristo, utilizando-nos das ferramentas que temos encontrado na Doutrina dos Espíritos, que nos traz tanto aprendizado, consolação e oportunidade de trabalho na seara de Jesus. Recorramos sempre à prece em todos os momentos, principalmente naqueles em que nos sentimos desanimados para prosseguirmos com nossas mudanças. Que o espírito natalino possa perdurar em nossos corações durante todo o ano de 2021. Que nossa alma de aprendiz esteja em Cristo, para renovarmo-nos com segurança e fortalecidos pelo amor que Ele ensinou, colorindo nosso coração e fazendo luz em nossas mentes, para coordenarmos nossas mãos no trabalho que a cada um Ele confiou.

Adriana Souza

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Na casa de Isabel

A conversa fraterna entre Aniceto, Vicente e André Luiz continuava no singelo jardim da residência de dona Isabel. Embora a sensação de tranquilidade, de repente leves brisas se transformaram em intensa ventania, acarretando um verdadeiro aguaceiro. Aproveitando a oportunidade, Aniceto destacou que o vento na crosta é sempre uma bênção celestial e que eles, Espíritos desencarnados, podem avaliar melhor seu caráter divino. Assinalou que a pressão atmosférica sobre os encarnados é de quinze mil quilos, aproximadamente. Vicente argumentou que eles não sentiam tamanho peso sobre os ombros. Foi então que Aniceto explicou: “É a diferença dos veículos de manifestação. Nossos corpos e os de nossos companheiros encarnados apresentam diversidade essencial. Imaginemos o círculo da crosta como um oceano de oxigênio. As criaturas terrestres são elementos pesados que se movimentam no fundo, enquanto nós somos as gotas de óleo, que podem voltar à tona, sem maiores dificuldades, pela qualidade do material de que se constituem”.[1] Eis aí uma das diferenças entre o corpo físico e o espiritual, chamado por Allan Kardec de perispírito.

Diante do que ocorria, André notou a presença de entidades sombrias, algumas monstruosas, se arrastando pelas vias públicas em busca de abrigo contra a tempestade. Muitas se dirigiam à casa de dona Isabel e, logo depois, recuavam com medo. Novamente Aniceto esclareceu: “Não temam. Sempre que ameaça tempestade, os seres vagabundos da sombra se movimentam procurando asilo. São os ignorantes que vagueiam nas ruas, escravizados às sensações mais fortes dos sentidos físicos. Encontram-se ainda colados às expressões mais baixas da experiência terrestre e os aguaceiros os incomodam tanto quanto ao homem comum, distante do lar. Buscam, de preferência, as casas de diversão noturna, onde a ociosidade encontra válvula nas dissipações. Quando isto não se lhes torna acessível, penetram as residências abertas, considerando que, para eles, a matéria do plano ainda apresenta a mesma densidade característica”.[1]

É interessante notar que tais Espíritos estavam tão materializados e tão animalizados que se comportavam como se vivessem no plano físico. Possuíam o perispírito muito grosseiro e experimentavam as mesmas sensações dos homens. Apavorados com o poder do temporal que caía, fugiam para lugares que lhes permitissem a entrada.

Mais uma vez, o mentor espiritual chamou a atenção de seus pupilos para o aprendizado: “Observem como se inclinam para cá, fugindo, em seguida, espantados e inquietos. Estamos colhendo mais um ensinamento sobre os efeitos da prece. Nunca poderemos enumerar todos os benefícios da oração. Toda vez que se ora num lar, prepara-se a melhoria do ambiente doméstico. Cada prece do coração constitui emissão eletromagnética de relativo poder. Por isso mesmo, o culto familiar do Evangelho não é tão só um curso de iluminação interior, mas também processo avançado de defesa exterior, pelas claridades espirituais que acende em torno. O homem que ora traz consigo inalienável couraça. O lar que cultiva a prece transforma-se em fortaleza, compreenderam? As entidades da sombra experimentam choques de vulto, em contato com as vibrações luminosas deste santuário doméstico, e é por isso que se mantêm a distância, procurando outros rumos…”.[1] Depois desta lição tão cristalina, fica repetitivo qualquer comentário de nossa parte a respeito da importância da oração. Ressaltamos apenas que a prece é um dos mais poderosos recursos de que dispomos em nossa vida. Por isso mesmo, precisamos aprender a utilizá-la com sabedoria e amor.

Decorridos alguns momentos, Isidoro e Isabel, ele desencarnado e ela encarnada, mas emancipada do corpo físico por efeito do sono, surgem de braços dados, transbordando felicidade. André se surpreende, pois até então havia percebido em Isabel apenas a viúva pobre que vivia em um bairro humilde. No entanto, desprendida das vestes carnais, ela se apresentava linda e com a singeleza que lhe era peculiar. Sorridente e amável como sempre, a esposa de Isidoro informou que estavam partindo rumo a uma excursão instrutiva e que deixavam as crianças adormecidas sob o carinhoso cuidado dos amigos espirituais.

Com a expressão de sublime noivado, o casal partiu deixando no ar o momento propício para Aniceto, com sua grande sapiência, nos ensinar mais uma vez: “Observam vocês como a felicidade divina se manifesta no sono dos justos? Poucas almas encarnadas conheço com a ventura desta mulher admirável, que tem sabido aprender a ciência do sacrifício individual”.[1]

Valdir Pedrosa

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 37 (No santuário doméstico).

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Realizações materiais e as conquistas espirituais

Nosso talento pode ser definido como a nossa “inclinação, desejo de fazer, de conquistar”. Se temos uma aptidão para uma certa atividade, é natural que busquemos desenvolvê- -la aprimorando nossa qualificação, visando bons resultados e satisfação, pois, socialmente, nos destacamos pelo resultado de nosso trabalho, mas também por nossas atitudes ao desempenhá-lo. Cortesia, empatia, tolerância, autoconfiança, objetividade e ponderação são sempre atitudes que nos fortalecem no caminho de aprendizagem, cooperação e serviço.

Pensando assim, podemos concluir que não há qualquer contradição entre buscar a realização profissional, o conforto material e colaborar no serviço divino da evolução, conquistando valores espirituais.

Quando refletimos sobre quais são as características do nosso comportamento que precisam ser desenvolvidas ou mantidas e quais são as que precisamos transformar, podemos nos concentrar no aprimoramento dos nossos pontos fortes e monitorar nossas limitações em todos os campos da existência. É sempre bom lembrar que o autoconhecimento é exercício de amadurecimento, sendo benéfico para nossa caminhada moral e espiritual, bem como para o desenvolvimento de nosso orbe.

No capítulo XVIII, item 2, da obra A Gênese, de Allan Kardec, encontramos a seguinte afirmação sobre como se efetua o progresso do nosso planeta: “fisicamente pela transformação dos elementos que o compõem, e moralmente pela purificação dos espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Essas duas fases do progresso se seguem e caminham paralelamente, pois a perfeição da morada está relacionada com a perfeição do habitante”.

Falando sobre aperfeiçoamento de espíritos, observemos caridosamente que cada individualidade tem o seu próprio dinamismo, características de comportamento, mas todos temos potencial de desenvolvimento. Reflitamos que nem sempre alcançaremos o que queremos no momento em que desejamos, mas, na maioria das vezes, por bondade e justiça divinas, obteremos aquilo de que necessitamos para seguir em frente com leveza.

O Espírito Emmanuel, na lição 57 da obra Pão Nosso, de Chico Xavier, nos instrui sobre o trabalho material: “O trabalho digno é a oportunidade santa. Dentro dos círculos do serviço, a atitude assumida pelo homem honrar-lhe-á ou desonrar-lhe-á a personalidade eterna, perante Jesus Cristo”. O mesmo autor espiritual, na lição seguinte desta obra, conclui: “Tenhamos cuidado contra as tristezas e sombras esterilizadoras. Má-vontade, queixas, insatisfação, leviandades, não integram o quadro dos trabalhos que o Senhor espera de nossas atividades no mundo. Mobilizemos nossos recursos com otimismo e não nos esqueçamos de que o Pai ama o filho que contribui com alegria”.

Vamos trabalhar nossas características, desenvolver potencialidades, vigiar nossas limitações e renovar atitudes. Dessa forma, é possível sucesso nas atividades do mundo e, principalmente, experimentar a satisfação verdadeira de ascender espiritualmente rumo ao Pai.

Letícia Schettino Peixoto

Esferas

Ninguém precisa ausentar-se da Terra para entrar em relações com esferas diferentes. A diversidade de nossas moradias começa neste mundo mesmo.

Cada mente vive na onda dos desejos que lhe são próprios. Cada coração palpita nos sentimentos que esposa. Residimos no lugar em que situamos a própria alma. Há quem se detenha fisicamente num palácio, sentindo-se no purgatório do desespero, e existe quem se demore num casebre guardando as alegrias de um paraíso interior. Há quem penetre no inferno da angústia, usando a chave da fortuna, e há quem alcance o Céu, manobrando uma enxada.

Cada espírito permanece na posição que lhe agrada. Por isso mesmo Jesus, em nos socorrendo na Terra, buscou ampliar-nos a visão e aperfeiçoar-nos o espírito para que se nos engrandeça a esfera individual e coletiva de ideal e realização, de trabalho e de luta.

Cada dia com o Evangelho no coração e nas palavras, nas atitudes e nas mãos é mais um passo para as eminências
da vida.

De modo a elevar-se de condição, ninguém reclame contra o cativeiro das circunstâncias. Se os sentimentos frágeis e enfermiços são produtos do ambiente em que respiram, os sentimentos nobres e robustos são organizadores do ambiente em que atuam, na sustentação de si mesmos e a benefício dos outros.

Jesus, até hoje, convida-nos, através da Boa Nova, a construir a esfera mais elevada em que nos cabe marchar para Deus. Se nos propomos a atingir as Moradas do Amor e da Sabedoria, na Luz Imperecível, aprendamos a renunciar a nós mesmos, avançando, corajosamente, sob a cruz dos deveres de cada dia, a fim de encontrarmos o Cristo em nossa desejada renovação.

(Mensagem do Livro Abrigo – lição 14 – Médium: Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)

O valor da saúde

“E curai os enfermos que nela houver e dizei-lhes: é chegado a vós o Reino de Deus”.

Jesus. (Lucas, 10:9)

O mestre Jesus pregava aos seus discípulos anunciando o Evangelho, a boa nova do reino de Deus; e os doze escolhidos iam com ele a toda parte buscando conhecimento. Certamente o admiravam, porque ensinava com toda autoridade que sua imensa evolução espiritual permitia. Eles estavam sob a amorosa e verdadeira autoridade do enviado de Deus e queriam aprender e progredir.

 É interessante que, por todas as localidades que passava, o tema da pregação do Cristo era o Reino de Deus, que é o estado permanente de conexão mental e espiritual com o Criador.

Qual o caminho que Jesus indicou aos seus discípulos e a todas as criaturas do orbe terrestre? Aprender a sentir a vontade amorosa de Deus, as Leis Naturais, que estão gravadas nas nossas consciências, para vivermos nossas vidas de acordo com ela.

Jesus e seus discípulos, imbuídos de amor, caridade e justiça, pelos locais que passaram, curaram muitos enfermos, com doenças de toda sorte, que atingiam os corpos físicos causando dor, desalento e exclusão social. Mas quando meditamos sobre estas curas é impossível não observar que a Jesus, e aos seus seguidores escolhidos, não interessava apenas a restauração da saúde do corpo material, mas, em especial, a correção do espírito, a volta dele aos caminhos iluminados do progresso.

Na obra de Chico Xavier, Pão Nosso, capítulo 44, o espírito Emmanuel, dissertando sobre “Curas”, registra: “que o homem comum se liberte da enfermidade, mas é imprescindível que entenda o valor da saúde”.

O benfeitor espiritual quer nos lembrar com o aviso acima que ainda temos enorme dificuldade para perceber as proveitosas lições morais e as oportunidades para o ajuste de condutas, que estão ocultas nas moléstias do corpo físico. Mas é certo também que, com bastante frequência, na vida ansiosa e desregrada que andamos levando, não trabalhamos pelo equilíbrio do nosso organismo, não cuidamos de nossa saúde.

 Em geral, em meio a muitas desculpas e justificativas, cometemos desatinos ao comer, beber e nos divertir. Em muitos casos, os doentes presos nos leitos de hospital, em tratamentos longos e difíceis, oram por suas recuperações já intencionando retornar ao mesmo esquema de vida desregrado que a doença interrompeu como alerta!

É sempre lícito que estejamos em prece pela saúde ou recuperação de nossos corpos e de nossos familiares e amigos, pois eles são os veículos que nossos espíritos se utilizam para experimentar e evoluir. Entretanto é tempo de refletirmos que, se a Providência Divina atua para curar onde há merecimento, quem recebe o beneficio deve entender a necessidade da mudança de hábitos e condutas, retomando com disposição o caminho redentor. Sejamos confiantes, mas também prudentes e sensatos!

 Letícia Schettino

Reencontros oníricos

Já passava das vinte e três horas. Dona Isabel e seus filhos se recolheram em aposento modesto e uma sensação intraduzível de paz inundava a todos, encarnados e desencarnados. Vários amigos espirituais se encontravam no pequeno jardim que rodeava a singela residência. Lá se encontrava uma entidade, assim reconhecida por Aniceto:

“- Esta é a nossa Irmã Emília, servidora em Nosso Lar, que vem ao encontro do esposo ainda encarnado.

– E ele virá até aqui? – interrogou Vicente, curioso.

– Virá pelas portas do sono físico – acrescentou nosso orientador, sorridente. – Estas ocorrências, no círculo da Crosta, dão-se aos milhares, todas as noites. Com a maioria de irmãos encarnados, o sono apenas reflete as perturbações fisiológicas ou sentimentais a que se entregam; entretanto, existe grande número de pessoas que, com mais ou menos precisão, estão aptas a desenvolver este intercâmbio espiritual”.[1]

Segundo o confrade Martins Peralva, em seu livro Estudando a Mediunidade, existem, basicamente, três tipos de sonhos: os comuns, que refletem as lembranças de quadros que permanecem impressos na própria mente; os reflexivos, que são aqueles em que o desprendimento ou emancipação da alma permite um mergulho mais profundo em nossos registros perispirituais, recuperando imagens, cenas de vidas passadas; e os espíritas, que são lembranças de nossa vivência real no mundo dos espíritos. São recordações de encontros, estudos que participamos, conversas, tarefas que desenvolvemos, etc. Além disso, podem surgir ocorrências desagradáveis e perseguições em função da sintonia espiritual.

Os mentores da Doutrina Espírita explicaram a Allan Kardec que a alma não repousa como o corpo, uma vez que “o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos”.[2] Ensinaram ainda, dentre outras coisas, o motivo pelo qual nem sempre nos lembramos dos sonhos: “em o que chamas sono, só há o repouso do corpo, visto que o Espírito está constantemente em atividade. Recobra, durante o sono, um pouco da sua liberdade e se corresponde com os que lhe são caros, quer neste mundo, quer em outros. Mas, como é pesada e grosseira a matéria que compõe, o corpo dificilmente conserva as impressões que o Espírito recebeu, porque a este não chegaram por intermédio dos órgãos corporais”.[3]

Todas essas informações são extremamente consoladoras, pois confirmam, até mesmo para os mais incrédulos, que é possível manter contato com os entes queridos que nos precederam no retorno à Pátria Espiritual. Não vou dizer que é impossível, porque há pessoas que não possuem aptidão para este tipo de contato, mas é muito raro encontrar alguém que nunca “sonhou” com um familiar ou amigo já desencarnado. Do mesmo modo, não é incomum escutarmos relatos de indivíduos que “sonharam” que estavam fugindo de uma perseguição, na qual alguém queria pegá-los. Está tudo explicado nos parágrafos anteriores. Pode ser um sonho comum ou reflexivo, pode ser sobre algo que nos impressionou durante o dia enquanto estávamos em estado de vigília. Contudo, a probabilidade de ser um encontro real no mundo dos espíritos é muito grande.

 As obras de André Luiz apresentam diversas passagens nas quais são demonstradas a presença de encarnados no plano espiritual, parcialmente desligados de seus corpos físicos em função do sono. Nestas situações, eles participam de diversos eventos de instrução e trabalho, se encontram com afetos, mas também podem sofrer cobranças e perseguições de desafetos do Além-Túmulo. De qualquer forma, é uma porta que possuímos para a vida depois do mundo físico. É importante salientar que, nestes momentos preciosos de liberdade, o espírito é atraído ou levado para locais com os quais tenha afinidade e para junto de companhias de vibrações semelhantes às suas.

Ressaltando o lado positivo do assunto, lembramos que o homem comum sempre relacionou sonhos à esperança. O Espiritismo vem provar essa realidade, pois através do sonhar pode o homem alimentar não apenas a esperança, mas sobretudo a certeza de que se encontrará com entidades queridas que velam por ele, habitualmente dispostas a lhe oferecer carinho, consolo e orientação. São genuínos reencontros oníricos. No entanto é bom ter em mente o alerta de que os sonhos, sejam eles comuns, reflexivos ou espíritas, serão uma consequência do tipo de vida que levamos quando estamos despertos no mundo material. Até mesmo a natureza de nossos sonhos e os Espíritos neles presentes são de responsabilidade do encarnado.

Valdir Pedrosa

[1] Os Mensageiros – Pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier – capítulo 37 (No santuário doméstico).

 [2] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 2ª parte – capítulo 8 (Da emancipação da alma) – questão 401.

 [3] O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – 2ª parte – capítulo 8 (Da emancipação da alma) – questão 403

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Mediunidade vitoriosa

Martins Peralva, no capítulo “Mediunidade Vitoriosa” do livro Mediunidade e Evolução, inicia seu comentário afirmando que “o comportamento de quem reencarna com obrigações definidas no setor mediúnico é objeto de preocupação dos amigos da vida espiritual”. Cabe a cada um que se encontra envolvido com o tema se perguntar: por quê? Qual o motivo da preocupação?

Devemos considerar que a mediunidade geral, inerente a todos os seres humanos, é um instrumento sutil que exerce efeitos patentes em todos os campos da vida humana e em todos os momentos. O que pensar, no entanto, em relação àquele que renasce com obrigações definidas no setor mediúnico? Este breve comentário se destina a quem se encontra, de uma forma ou de outra, comprometido com a mediunidade tarefa.

No capítulo citado, o autor afirma ainda que “grande é o número dos que realizam, imperfeitamente, os compromissos mediúnicos”. E os motivos são bem variados: medo, insegurança, vaidade, indisciplina, desorganização, entre tantos outros. No entanto, estou convencido de que a causa raiz é a incerteza da imortalidade da alma, do intercâmbio entre os espíritos e da nossa própria natureza espiritual. Sim, eu sei. O mundo nos confunde! Faz-nos crer que o mais importante é ter, e não ser. Acumular, e não compartilhar. Ser servido, e não servir. Vencer, e não convencer. Aparentar, e não se admitir. Ou seja: tudo aquilo que é contrário à “Oração de São Francisco”. Estes comportamentos geram graves obstáculos para o que almejamos espiritualmente. Uns procrastinam diante do compromisso assumido com a mediunidade tarefa. “Amanhã eu vou! Depois eu estudo! Hoje não!” Outros permanecem matriculados no departamento mediúnico da casa espírita há décadas sem progresso. Estão ali, mas não estão. São assíduos, mas não se pode contar com eles. O tempo passa, a mediunidade fica. “Atendem objetivos inferiores dissociando o serviço do intercâmbio do imperativo evangélico”, alerta Peralva.

A atual pandemia, ao determinar o fechamento momentâneo das portas das casas religiosas, oportunizou valiosos entendimentos
que não teríamos de outra forma. Pelo menos não em tão curto espaço de tempo. Um deles é a visão do papel efetivo das casas espíritas em nossas vidas. Em minha opinião, ficou claro, por exemplo, que o estudo da doutrina (mediunidade) e do evangelho pode perfeitamente ser realizado remotamente, em grupos interativos, de modo seguro, econômico, abrangendo um número bem maior de participantes e com belíssimos reflexos na harmonia no lar. No entanto, não me parece adequado educar a prática mediúnica dessa forma. Por outro lado, caridade e amor ao próximo se exercem no contexto interpessoal, na sociedade, cuja célula mater é a família. Fazer essa distinção é fundamental. Afinal de contas, em que precisamos da casa espírita para exercer a mediunidade? Qual é a contribuição delas no exercício da caridade? E se as portas não mais se abrissem? Reflita inspirando-se no modo como viveu Jesus.

Para alcançar êxito em sua tarefa, o médium deve inicialmente avaliar sua postura em relação ao tema. Eu tenho me envolvido com
a tarefa de corpo e alma? Eu tenho contribuído para o desenvolvimento de outros médiuns? Eu tenho exercido a virtude da tolerância? E da humildade? Eu tenho perseguido um crescimento moral com base no evangelho? Qual tem sido o meu grau de dependência da casa espírita para alavancar a minha reforma íntima? Que benefícios o meu status de médium dentro do movimento espírita tem ofertado a outras pessoas, especialmente as mais próximas?

A reflexão sincera sobre esses e outros tópicos, aliada ao aprimoramento nas atitudes cristãs, darão o desejado impulso rumo à mediunidade vitoriosa. Certamente, deixaremos de ser objeto de preocupação dos amigos da vida espiritual. Muito pelo contrário. A busca da mediunidade vitoriosa nos credenciará a viver na companhia deles, sendo intuídos, protegidos e incentivados, nos posicionando finalmente como espelhos da luz maior refletindo amor a muitos corações. Eis uma boa definição para Mediunidade com Jesus. Dentro e fora da casa espírita.

Vinícius Trindade

A Evolução não é obra do acaso

A teoria da evolução do universo e dos seres no Espiritismo está bastante conectada àquela que a ciência afirma. Na Codificação, Allan Kardec procura demonstrar, sem nenhuma ideia sobrenatural ou fantasiosa, à luz da ciência de sua época, o que há por traz deste complexo processo evolutivo biológico e espiritual: uma inteligência.

Para o Espiritismo, de forma simplificada, temos: Deus criou o universo. Dentro desse universo há vários mundos. Estes mundos são criados gradativamente, juntamente com seus habitantes. Muitos planetas foram criados antes da Terra. Assim como outros ainda são e serão criados.

Segundo o mentor espiritual Emmanuel, o nosso mestre e irmão maior Jesus e sua equipe de espíritos atuaram e coordenaram toda a evolução da Terra. Atuaram sob as Leis Divinas e com os recursos criados por Deus. A questão 45 de O Livro dos Espíritos afirma que os princípios inteligente e material já se achavam […] “em estado fluido no espaço, no meio dos Espíritos, ou em outros planetas, esperando a criação da Terra para começarem existência nova em novo globo”.

No início, o princípio inteligente ou espiritual foi “semeado” pelos Espíritos Crísticos no momento da formação deste planeta. Este princípio inteligente, então, se uniu ao princípio material, posteriormente desenvolvido para organização da matéria que constituiria a natureza da Terra e a formação dos corpos dos seres vivos. Juntos, estes dois princípios se desenvolveram na Terra até que, com o passar de milênios, o principio inteligente chegou ao estágio de humanização constituindo os chamados espíritos.

 A revelação acima nos remete a hipótese, em estudo por parte da comunidade cientifica, de que a vida foi trazida à Terra do espaço, talvez em cometas, meteoritos. Ela é conhecida como panspermia cósmica e, na atualidade, torna-se mais próxima da realidade devido ao desenvolvimento do estudo de planetas extrassolares e da engenharia genética microbiana. Não há consenso, mas já existem algumas evidências avançadas de que microrganismos mais resistentes teriam conseguido sobreviver à hostilidade do espaço e chegado até a Terra. A ciência progride, aprimora seus métodos de investigação e, como afirmou Kardec, também o Espiritismo é passível de atualizações: “se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará”.

O que nos foi trazido pela Espiritualidade é que o princípio espiritual é criado constantemente por Deus, sem complexidade, e deverá estagiar milhões de anos nos reinos inferiores da criação (mineral, vegetal e animal), para estar preparado para funções mais complexas, conquistando a individualidade, habilitando-se para o despertar da inteligência e do senso moral. A evolução dos seres vivos, inclusive dos humanos, ocorre nos dois planos da vida, o físico e o espiritual.

Emmanuel segue nos esclarecendo no livro A Caminho da Luz que na Terra todo esse processo admirável não foi obra do acaso, resultado de forças cegas, inconsequentes, e sim a consequência de um trabalho bem elaborado dos Espíritos superiores, responsáveis pelo destino de nosso planeta.

Ao tratar deste processo evolutivo, os espíritos superiores não se detiveram em maiores detalhamentos, por exemplo, de como Deus cria o princípio espiritual e de como o reino mineral se aproxima desse período inicial da criação. Esta postura dos mentores se justifica porque nós ainda não temos conhecimentos e condições para melhor entendimento desta matéria.

Sobre esta questão, talvez, segundo Gabriel Delanne, no reino mineral o princípio espiritual se submeta a lei de atração e repulsão, gerando aglutinação e solidez, rumo a complexidade evolutiva. Certo é que, com o avanço da ciência, que se dá em um ritmo acelerado, futuramente poderemos ter mais orientações sobre a evolução do princípio espiritual no reino mineral e nos demais reinos.

 Emmanuel, na obra O Consolador, questão 79, diz que “a escala do progresso é sublime e infinita. No quadro exíguo dos vossos conhecimentos, busquemos uma figura que nos convoque ao sentimento de solidariedade e de amor que deve imperar em todos os departamentos da natureza visível e invisível. O mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade”.

Conclui André Luiz no livro No mundo Maior: “não somos criações milagrosas, destinadas ao adorno de um paraíso de papelão. Somos filhos de Deus e herdeiros dos séculos, conquistando valores, de experiência em experiência, de milênio a milênio. […] Ao entrar no reino hominal, o princípio inteligente – agora sim, Espírito – está apto a dirigir a sua vida, a conquistar os seus valores pelo esforço próprio, a iniciar uma evolução de orientação centrífuga (de dentro para fora)”.

A Codificação de Kardec e as afirmativas dos espíritos mentores, Emmanuel e André Luiz, nos estimulam a refletir sobre a perfeição Divina e a importância de valorizarmos as oportunidades de cada encarnação, nos empenhando para seguir evoluindo e conquistando os valores superiores da alma: “a responsabilidade, a sensibilidade, a sublimação das emoções, enfim, todos os condicionamentos que permitirão ao Espírito alçar-se à comunidade dos Seres Angélicos”.

Leticia Schettino Peixoto

Bibliografia: Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos, capítulo XI, da 2ª parte.

 Kardec, Allan. A Gênese, capítulo XI.

Xavier, Francisco Cândido. A Caminho da Luz. Pelo Espírito Emmanuel.

Xavier, Francisco Cândido. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. Questão 79.

Xavier, Francisco Cândido; Waldo, Vieira. Evolução em dois mundos, capítulo 3. Pelo espírito André Luiz. Gabriel Delanne, Evolução Anímica, Cap. II.