A ciência nova

Devagar, mas sempre

“Mas ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova, de dia em dia.” Paulo
(II Coríntios, 4:16)

A lição nº 62, do livro Fonte Viva, intitulada “Devagar, mas sempre”, ditada pelo Espírito Emmanuel a Francisco Cândido Xavier, nos faz refletir sobre a importância de nos esforçarmos em trabalhar continuamente a paciência, o equilíbrio, a perseverança e a vigilância, com o fim de buscarmos, de forma progressiva e segundo as nossas capacidades enquanto Espíritos em evolução, um aperfeiçoamento moral e espiritual.

Segundo Emmanuel, na natureza “nada se realiza aos saltos e, na pauta da Lei Divina, não existe privilégio em parte alguma”.

Significa dizer que, em conformidade com as Leis Divinas, tudo tem o tempo certo de acontecer, sobretudo no que diz respeito às situações relacionadas à nossa jornada evolutiva.

No Antigo Testamento, em Eclesiastes, 3:1-2, está escrito que “tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”

Como estamos trabalhando as nossas ansiedades? Eu consigo lidar com as vontades e os desejos imediatistas que muitas vezes dominam o meu modo de ser e agir? Será que estes desejos condizem com as minhas reais necessidades, enquanto Espírito imortal?

Emmanuel nos diz que “a vida é processo renovador, em toda parte, e, segundo a palavra sublime de Paulo, ainda que a carne se corrompa, a individualidade imperecível se reforma, incessantemente.”

Todos nós somos Espíritos imortais vivenciando uma experiência transitória na matéria. Assim, ainda que o corpo físico venha a se enfraquecer e perecer, o Espírito, por ser imortal, se encontra em processo contínuo de renovação.

Conforme nos esclarece Allan Kardec, no livro “O Céu e o Inferno”, primeira parte, no Capítulo III, item 9, “uma só existência corporal é evidentemente insuficiente para o Espírito adquirir tudo o que lhe falta no campo do bem e se desfazer de tudo o que possui de mal.”

Nossa evolução ocorre, portanto, de forma progressiva, em conformidade com as nossas escolhas. Assim, na condição de Espíritos imortais é importante refletirmos na maneira como estamos conduzindo a nossa vida. Que escolhas estamos fazendo? Quais são as nossas metas? Estas metas estão em conformidade com os ensinamentos de Jesus? Como estamos nos esforçando para alcançá-las?

Não podemos esquecer que as ações praticadas hoje, certamente, em algum momento da nossa existência irão repercutir. Assim, a importância de pensarmos naquilo que estamos semeando e cultivando. Será que estou trabalhando de maneira positiva e proveitosa para o meu processo de transformação moral?

“Se algum ideal divino te habita o Espírito, não olvides o servicinho diário, para que se concretize em momento oportuno”, nos fala Emmanuel. As nossas conquistas morais e espirituais ocorrem de forma gradativa, passo a passo, à medida que nos esforçamos em melhorar os nossos pensamentos, palavras e ações. Nesse processo de aperfeiçoamento, ressaltamos a importância das pequeninas e singelas ações do dia a dia, que contribuem diretamente para o nosso progresso moral e espiritual: um sorriso amigo, um abraço fraterno, uma palavra consoladora, um gesto de gentileza, aquele momento em que paramos simplesmente para ouvir o outro, o respeito e a tolerância com aqueles que pensam de uma forma diferente que a nossa. Atitudes pequeninas, mas que fazem grande diferença em nossas vidas e na vida daqueles com as quais convivemos.

“Há percalços e lutas, espinhos e pedrouços na senda? Prossegue mesmo assim”, nos encoraja Emmanuel. Nessa busca pela nossa transformação moral, certamente iremos nos deparar com dificuldades, dores e sofrimentos, mas como nos diz o Espírito André Luiz, “não espere viver sem problemas, de vez que problemas são ingredientes de evolução, necessários ao caminho de todos”. (Livro Coragem – lição Para renovar-nos) E conclui Emmanuel a lição: “guardemos a lição e caminhemos para diante, com a melhoria de nós mesmos. Devagar, mas sempre”.

Robert Gallas